Mato Grosso, Domingo, 16 de Dezembro de 2018

Aumenta número de pessoas na extrema pobreza do Brasil. Pesquisa aponta 15,2 milhões de brasileiros

06-12-2018
Fonte: Redação
Foto: Reprodução

O país teve aumento de pessoas em piores condições de vida. Os dados da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS), divulgada na última quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o número de pessoas em situação de extrema pobreza no Brasil cresceu em 2017, atingindo 15,2 milhões.

Em 2016 esse número era de 13,5 milhões (ou seja, 6,6% da população) e aumentou para 15,2 milhões em 2017 (7,4% da população). Atualmente, o País tem 207 milhões de pessoas. 

O salto, que representa um crescimento de 13% e de quase dois milhões de pessoas em um ano, é calculado a partir da definição de extrema pobreza do Banco Mundial (BM), que considera pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia (cerca de R$ 7,33), o equivalente a R$ 140 por mês.

A pesquisa também avaliou o número de pessoas atingidas pela pobreza, que abrange brasileiros com rendimento inferior a US$ 5,5 por dia (cerca de R$ 21,23), o equivalente a R$ 406 mensais.   Entre eles, o crescimento foi de quase 4%: eram 52,8 milhões de pobres em 2016 (25,7%) da população) que, em 2017, somaram 54,8 milhões (26,5% da população total).

O nordeste do país é o que apresenta o maior número de pessoas tanto em situação de extrema pobreza (renda de até R$ 140 por mês)  quanto de pobreza (renda de R$ 406 mensais). 

São 14,7% dos nordestinos que estavam vivendo em extrema pobreza em 2017 contra 13,2% no ano anterior. Entre a população em situação de pobreza, o Nordeste abrange quase metade do índice: tem mais de 25 milhões de nordestinos nessas condições, enquanto o número total do Brasil é de 54,8 milhões. 

Ainda na região nordeste, a maior proporção de pobres está localizada no Maranhão, que tem mais da metade da população abaixo da linha da pobreza. Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Piauí, Ceará, Alagoas e Bahia também estão entre os estados que tem quase metade das pessoas em situação de pobreza. 

A região Sul é a que apresenta a menor taxa de pessoas em extrema pobreza. Mesmo assim, o número aumentou na comparação de 2016 com 2017: eram 2,4% e passou para 2,9%, respectivamente. O menor percentual de pobres fica no estado de Santa Catarina, que tem 8,5% da população vivendo com menos de R$ 406 por mês. Nos outros estados, o índice ficou acima de 13%.

De acordo com o IBGE, A pobreza extrema aumentou em todas as regiões, com exceção da região Norte.

A pesquisa identificou que, em 2017, 27 milhões de pessoas (o equivalente a 13% da população brasileira) viviam em habitações com pelo menos uma das quatro inadequações estudadas: carecterísticas físicas, condição de ocupação, acesso a serviços e presença de bens no domicílio.

As casas que possuem mais de três moradores por dormitório atingiram 12,2 milhões de pessoas, ou 5,9% da população do País, registrando o pior nível no Amapá (18,5%) e o melhor em Santa Catarina (1,6%). 

Outros 15,1% moravam em residências sem abastecimento de água no ano passado. Ainda na ausência de melhores condições, o estado do Acre é o que registrou maior percentual (18,3%) de pessoas residentes em domicílios sem banheiro de uso exclusivo. Já o Piauí tinha a maior proporção da população sem acesso a rede de esgoto (91,7%).

Segundo o relatório, seriam necessários investimentos de R$ 1,2 bilhão por mês para eliminar a pobreza extrema no País. Já para erradicar toda a pobreza, seriam necessários investimentos de R$ 10,2 bilhões mensais.

O IBGE construiu um indicador, chamado "hiato da pobreza", que "mede a que distância os indivíduos estão abaixo da linha de pobreza no Brasil ". Dessa forma, o estudo apontou que, em média, as pessoas em situação de extrema pobreza precisariam de R$ 77 para alcançar a linha da pobreza. Já os pobres conseguiriram sair da faixa da pobreza com R$ 187.