Mato Grosso, Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

Número de famílias que vivem no limite do orçamento tem queda, diz estudo

08-01-2019
Fonte: Redação
Foto: Reprodução

No final do ano, caiu o número de brasileiros que vivem no limite do orçamento, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Em outubro caiu de 82% para 76% em novembro, ou seja, 43% dos entrevistados terminaram o mês no 'zero a zero', ou seja, até conseguiram pagar as contas, mas não restou nada de seus rendimentos e, 33% encerram o mês 'no vermelho', isso quer dizer que eles deixaram de pagar alguma conta por falta de recursos. Os brasileiros que se encontram 'no azul' somam 16%. 

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o percentual de brasileiros que vivem sem sobras no orçamento segue elevado, mas o consumidor tem uma chance de melhorar esse quadro com as rendas extras de final de ano. "O pagamento do 13º salário pode aliviar a situação do consumidor, mas vale lembrar que se trata de um aumento de renda temporário. Uma vez restaurado o equilíbrio do orçamento, o consumidor precisa manter o controle dos gastos, estabelecendo prioridades e fazendo ajustes quando necessário. É uma tarefa constante, que exige disciplina, mas que faz diferença no bem-estar financeiro do consumidor", afirma a economista. 

Com muitos brasileiros ainda vivendo no limite das finanças, 45% dos consumidores planejavam diminuir o nivel de gastos durante o mês de novembro, número inferior ao constatado em outubro (51%). Entre os que planejavam cortar despesas, a principal razão é a busca constante por economizar (34%), os preços elevados (28%), o desemprego (26%) e o endividamento (15%). 

Com o bolso levemente menos pressionado, mais brasileiros recorreram a crédito em outubro. Dados do Indicador de Demanda por Crédito mensurado pela CNDL e pelo SPC Brasil mostram que passou de 44% para 46% o percentual de consumidores que se utilizaram de alguma modalidade de crédito no mês de outubro na comparação com setembro. Os cartões de crédito (39%), crediário (11%) e o cheque especial (7%) foram as modalidades mais usadas. Há ainda, 6% de consumidores que recorreram à empréstimos e 5% a financiamentos. Os que não recorreram a nenhum tipo de crédito no período somam 54% de entrevistados. 

Ainda sob o impacto de uma melhora gradual das concessões de crédito entre as instituições bancárias, 48% dos consumidores alegaram sentir dificuldades para ter acesso a crédito, sendo que o problema é ainda mais sentido pelos brasileiros de mais baixa renda (53%). Apenas 13% consideram o processo fácil. 

Dados mais detalhados sobre o uso do cartão de crédito, que foi o meio de pagamento a prazo mais utilizado no mês, mostram que 41% de seus usuários aumentaram o valor da fatura em outubro. Para 36%, o valor se manteve estável frente aos meses anteriores, enquanto somente 19% notaram uma diminuição no total a ser pago. Considerando os entrevistados que se lembram do valor, a média dos gastos foi de R$ 880,00. Ainda de acordo com o levantamento, a maioria (77%) dos usuários de cartão conseguiu pagar integralmente a fatura do cartão, embora 20% tenham entrado no rotativo. 

Os itens de primeira necessidade como alimentos em supermercados (70%) e remédios (47%) foram os mais adquiridos por meio do cartão de crédito. Gastos com roupas e calçados (37%), combustíveis (32%) e saídas para bares e restantes (27%) completam o ranking de principais gastos com o chamado 'dinheiro de plástico'. 

Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, "os dados comprovam que o brasileiro está recorrendo ao crédito para compras do dia a dia, inclusive alimentos em supermercados. Independentemente do tipo de compra ou do valor do bem, o cartão pode ser um aliado do orçamento e, não necessariamente, um vilão. Tudo depende da maturidade e do grau de organização do seu usuário, pois entrar no rotativo pode causar um efeito bola de neve nas finanças do consumidor e negativação do nome" alerta Vignoli.