O relógio está correndo, e 2026 está logo ali. É quando começam a valer as novas regras da reforma tributária, que depois de anos como um rumor distante, agora virou realidade e promete reconfigurar completamente o cenário tributário e empresarial do Brasil. A questão não é se as empresas serão impactadas, mas quanto e como? Preparar-se agora é mais do que uma vantagem estratégica – é uma questão de sobrevivência para muitas empresas.
Segundo os dados da calculadora da ROIT, 73% das empresas terão que aumentar os preços para os consumidores finais, 87% repassarão custos mais altos aos clientes intermediários e 47% sofrerão uma perda significativa de margem de lucro.
É a avaliação do tributarista Lucas Ribeiro, CEO da ROIT. Ribeiro acompanha e participa dos debates em torno do tema desde 2019. Em 2023 e 2024, integrou audiências públicas no Congresso Nacional apresentando análises elaboradas pela tecnologia da ROIT, além de assessorar diretamente senadores e deputados.
Para o especialista, não há mais o que esperar: as empresas precisam começar já a preparação para as novas regras. A reforma tributária será implementada de forma progressiva, a partir de janeiro de 2026, até estar completamente em implementada em 2033. Nesse período, haverá convivência entre os dois modelos – o atual e o instituído pela reforma. E os prazos estão na Constituição Federal, o que dificulta bastante eventuais postergações.
O QUE ESTÁ EM JOGO? – Para o especialista, quem ainda acha que pode adiar o planejamento, é bom tomar uma dose de realidade: a transição para o novo modelo tributário será um teste de agilidade, estratégia e conhecimento. “Os vencedores da reforma serão aqueles que dominarem os números e se prepararem durante o ano de 2025”, alerta. “Os perdedores? Aqueles que deixarem para última hora ou acreditarem que nada precisa ser feito.”
A complexidade está nos detalhes. Alíquotas unificadas (mas poderemos conviver com uma diferente em cada município), novas formas de apuração e a chegada do conceito IVA (Imposto sobre Valor Agregado) trazem mudanças que vão além do cálculo de tributos. “Estamos falando de uma transformação que afeta toda a cadeia de valor: preços, contratos, sistemas de gestão e até o comportamento do consumidor e a cultura das empresas”, sublinha Ribeiro.
CINCO PASSOS PARA COMEÇAR AGORA – Quer evitar dores de cabeça e ficar à frente da concorrência? Eis o que sua empresa precisa fazer imediatamente:
Revisão de contratos e fornecedores:
Certifique-se de que os acordos existentes suportam a nova tributação. Negociar agora pode evitar prejuízos lá na frente e preços equivocados.
Adequação de sistemas de gestão:
Atualize seu ERP e demais softwares fiscais para lidar com as mudanças. Lucas Ribeiro destaca que tecnologias como a Calculadora da Reforma Tributária da ROIT podem simplificar esse processo, simulando cenários e ajustando parâmetros.
Treinamento da equipe:
Seus colaboradores precisam entender o impacto das mudanças para tomar decisões rápidas e assertivas.
Revisão de preços e margens por item:
O custo tributário pode aumentar ou diminuir, dependendo do setor. Ajustar preços agora pode garantir competitividade em 2025.
Simulação de cenários:
Ferramentas avançadas são indispensáveis para prever impactos e preparar uma estratégia robusta. A ROIT, por exemplo, desenvolveu soluções que integram dados do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) com análises tributárias em tempo real, ajudando empresas a navegar com segurança.
POR QUE AGIR AGORA? – Ribeiro ilustra com o seguinte cenário: imagine tentar renegociar preços, ajustar contratos e treinar sua equipe com um prazo de apenas 90 dias após a reforma entrar em vigor. Parece loucura, certo? E é exatamente isso que as empresas enfrentarão se não começarem já. “O tempo é o ativo mais valioso para a transição. As empresas que se anteciparem terão um ano para testar, errar e corrigir”, reforça Lucas Ribeiro.
O CUSTO DA INÉRCIA – Deixar para depois não é uma opção. As empresas que não se adequarem correm o risco de multas, prejuízos e até perda de mercado. Além disso, a falta de preparo pode resultar em decisões baseadas em informações erradas, comprometendo lucros e competitividade, adverte o especialista.
SOBRE A REFORMA TRIBUTÁRIA – A reforma tributária foi instituída pela Emenda Constitucional 132, promulgada pelo Congresso Nacional em 2023 (EC 132/2023), com base principalmente da Proposta de Emenda Constitucional 45/2019. No começo deste ano (janeiro), foi sancionada pelo presidente da República a lei que regulamenta a reforma (lei complementar 214/2025), originada do projeto de lei complementar 68/2024, que tramitou ao longo do ano passado na Câmara dos Deputados e no Senado.
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