A maior vitrine mundial do setor, a NRF 2026: Retail’s Big Show, realizada anualmente em Nova Iorque no mês de janeiro, deixou um recado claro para empresários e executivos: o varejo entrou definitivamente na fase da execução em escala. Sob o tema “The Next Now”, o evento marcou a transição do discurso sobre inovação para a aplicação prática da tecnologia no dia a dia das operações, com a inteligência artificial assumindo papel central, porém cada vez mais invisível ao consumidor final.
Mais do que apontar modismos, a NRF 2026 revelou uma mudança estrutural na relação entre marcas, consumidores e tecnologia. O foco deixa de ser quem adota mais soluções digitais e passa a ser quem constrói ambientes de confiança, capazes de sustentar decisões tomadas por humanos e por máquinas. No novo varejo, a tecnologia ideal é aquela que atua nos bastidores, garantindo segurança, fluidez e resiliência, enquanto o varejista concentra esforços em criar valor, vender melhor e fortalecer o relacionamento com o cliente.
A seguir, o MT Econômico apresenta as 10 principais tendências do varejo em 2026, mapeadas a partir dos debates e cases abordados na NRF, que já começam a redesenhar estratégias no Brasil e no mundo.
1. Inteligência artificial integrada à operação
A IA deixa de ser conceito e se consolida como ferramenta operacional. Soluções de previsão de demanda, personalização de ofertas, automação de processos e apoio à tomada de decisão tornam-se parte do core do negócio, elevando eficiência e competitividade.
2. Agentic commerce e a automação da decisão de compra
O varejo avança para a era do agentic commerce, em que assistentes de IA passam a conduzir toda a jornada do consumidor. Em vez de comparar produtos, o cliente descreve sua necessidade e a tecnologia seleciona, decide e compra. Nesse cenário, marcas precisam ser “legíveis” para máquinas, sob o risco de simplesmente deixarem de existir.
3. CRM e retenção como prioridade estratégica
Com o custo de aquisição de clientes em alta, o relacionamento ganha protagonismo. Estratégias focadas em retenção e aumento do lifetime value (LTV) tornam-se essenciais para o crescimento sustentável.
4. Dados de qualidade superam modelos sofisticados
Na era da IA, dados limpos, organizados e conectados à operação valem mais do que algoritmos avançados. A autoridade de uma marca passa a ser construída pela consistência das informações e não pelo volume de investimentos em mídia.
5. Omnicanalidade aplicada à prática
A integração entre físico e digital deixa o campo teórico. Modelos como BOPIS (compre online e retire na loja), dark stores e logística integrada ganham escala, melhorando experiência e eficiência.
6. Expansão do video commerce
O v-commerce se consolida como formato de alta conversão ao unir conteúdo, influência e compra em tempo real, impulsionado por redes sociais e transmissões ao vivo.
7. Promessa digital com entrega física impecável
Para o consumidor, não há separação entre canais. Qualquer falha na entrega da promessa feita no digital resulta em fricção e abandono. A experiência passa a ser medida pela fluidez da jornada, do clique à entrega.
8. Pagamentos como camada invisível de confiança
O meio de pagamento deixa de ser apenas transacional e passa a validar identidade, risco e legitimidade. No Brasil, soluções como Pix e biometria colocam o país em posição privilegiada para o avanço de jornadas quase invisíveis de checkout.
9. Confiança como critério técnico das IAs
Em um ambiente mediado por algoritmos, a confiança se torna operacional. As IAs recomendam apenas marcas que demonstrem consistência, histórico e autoridade, redefinindo a lógica da descoberta de produtos.
10. Cultura organizacional como fator decisivo
Apesar do avanço tecnológico, pessoas continuam no centro da transformação. Liderança, capacitação e engajamento são determinantes para que a inovação gere resultados concretos.
Empresários de Mato Grosso no epicentro do varejo global
A transformação global do varejo teve participação direta de Mato Grosso. Uma comitiva de 28 empresários, lideranças do Sistema Comércio e representantes do Governo do Estado participou de uma imersão em Nova Iorque por meio do ProLíder Varejo, iniciativa da Fecomércio-MT em parceria com o Senac.
Durante a missão, o grupo visitou lojas referência em atendimento, design e tecnologia, além de empresas que desenvolvem soluções para automação e melhoria da experiência do consumidor. A programação incluiu palestra do especialista Arthur Igreja, que destacou o avanço da inteligência artificial prática e da chamada “IA física”, com robôs assumindo etapas do processo de compra.
Para os participantes, a experiência vai além do aprendizado técnico. “O que estamos vendo hoje é um sinal claro do próximo passo do varejo no Brasil”, avalia o empresário Antonio Henrique Zigart Brum, da Interfibras.
A NRF 2026 deixa claro que o futuro do varejo não será decidido por quem aposta mais em tecnologia, mas por quem consegue integrá-la à operação, aos dados e, sobretudo, às pessoas. Em 2026, vencerá quem transformar inovação em execução — com confiança, fluidez e visão estratégica.
