O consumidor brasileiro enfrentou mais um ano de pressão no orçamento com a alta do café em pó e em grãos, que ficou 40,7% mais caro na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. É o que aponta o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, realizado pela Neogrid. Segundo o novo levantamento, o preço médio do café passou de R$ 53,58 para R$ 76,36 no período analisado.
O movimento de subida do alimento ocorreu mesmo em um contexto de produção elevada no país. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira foi estimada em 56,5 milhões de sacas – crescimento de 4,3% em relação a 2024, mas com redução de 9,7% na colheita de café arábica, mais consumido no mercado interno, impactada pela baixa produtividade e por condições climáticas adversas, o que gerou menor disponibilidade dessa variedade e expansão nos preços de todas as categorias do item.
Além do café, outros produtos essenciais na mesa dos brasileiros encareceram em 2025. Os queijos registraram elevação de 12,4% no preço médio nacional, seguidos por margarina (12,1%), creme dental (11,7%) e cerveja (6,2%), evidenciando um cenário de aumentos ao longo dos meses observados.
Apesar da escalada acumulada no ano, o mês de dezembro trouxe certo alívio às compras: itens básicos da cesta tiveram queda nos preços médios no fechamento de 2025, como leite UHT (-5,3%), ovos (-3,6%) e arroz (-2,2%), contribuindo para conter a inflação de alimentos no curto prazo.
No panorama macroeconômico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou aceleração de 0,33% em dezembro de 2025, na comparação com novembro, indicando a manutenção de um ambiente inflacionário, ainda que com comportamento heterogêneo entre as diferentes categorias de consumo.
MAIORES ALTAS – Especificamente em dezembro de 2025, o sabão para roupa apresentou o maior incremento de preço entre os itens monitorados, com variação de 2,4% na comparação mensal, passando de R$ 14,58 em novembro para R$ 14,94 no último mês do ano. Na sequência, carne bovina (2,3%), carne suína (2,2%), creme dental (1,5%) e cerveja (1,3%) ficaram mais caros no período.
Para Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento dos preços ao longo de 2025 ajuda a explicar a perspectiva que se desenha para os próximos meses. “O ano foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como café e carnes, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor”, analisa.
“Para 2026, a expectativa é de uma oscilação mais moderada nos alimentos, com itens ainda sensíveis ao câmbio e à conjuntura global seguindo em alta, enquanto mercadorias básicas tendem a apresentar maior estabilidade, diminuindo o risco de uma inflação disseminada, embora fatores climáticos e macroeconômicos continuem exigindo atenção.”
VARIAÇÕES NO CENTRO-OESTE – Na região Centro-Oeste, os suínos lideraram a alta, com ajuste positivo de 16,2%, seguidos por legumes (7,8%), sal (5,5%), bovinos (5,2%) e queijos (2,4%). Entre os recuos, destacaram-se leite UHT (-7,5%), ovos (-5,9%), farinha de mandioca (-5,1%), detergente líquido (-4,2%) e arroz (-2,8%).
