O Sistema OCB/MT, por meio do Observatório do Cooperativismo, divulgou ontem (22), a nova edição do Índice de Confiança das Cooperativas (IC.COOP/MT). O indicador geral atingiu 46,58% em abril, registrando um recuo de 0,72 ponto percentual em relação a janeiro (47,30%). O resultado mantém o setor abaixo da linha de neutralidade (50%), sinalizando um ambiente de cautela.
A queda na confiança é reflexo direto de um cenário macroeconômico adverso, marcado por tensões geopolíticas internacionais — como a Guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz — que impactam o preço de combustíveis e a importação de fertilizantes. Internamente, as cooperativas enfrentam o desafio de juros elevados, inadimplência e a pressão contínua nos custos operacionais e logísticos.
O Superintendente do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo, destaca que o cenário exige pés no chão por parte dos gestores cooperativistas.
“Os dados do IC.COOP mostram que não há como as cooperativas se manterem puramente otimistas no cenário atual. Com a economia global andando de lado, juros ainda em patamares que sufocam o crédito e uma geopolítica instável que encarece desde o diesel até os fertilizantes, o sentimento de cautela é a resposta racional do setor. O fechamento de rotas internacionais e a volatilidade do petróleo batem diretamente na porta das cooperativas dos ramos agro, transporte e crédito”, analisa Azevedo.
Apesar do tom de alerta, o superintendente vislumbra uma janela de recuperação. “Apesar dessa pressão, vemos indicadores de resiliência. O cooperativismo de Mato Grosso é sólido e já provou sua capacidade de adaptação; estamos atravessando a turbulência com gestão estratégica para colhermos, em breve, os frutos de uma economia mais estabilizada.”
PANORAMA POR RAMOS – Embora o sentimento geral seja de retração, o comportamento varia entre os setores estratégicos do estado:
Ramo Agropecuário (51,41%): Mantém-se na zona de otimismo moderado. Apesar da queda nas condições atuais devido à volatilidade das commodities e custos logísticos, as expectativas futuras subiram para 54,26%, impulsionadas pela resiliência da demanda externa.
Ramo Crédito (49,38%): Entrou em zona de pessimismo após uma queda acentuada nas expectativas (-2,50%). O setor é o mais impactado pela manutenção de juros altos e pelo temor da inadimplência global.
Ramo Transporte (53,17%): Apesar de uma queda de 6,51% no índice, ainda é o ramo mais otimista, sustentado pela necessidade de escoamento da safra mato-grossense, mesmo com a alta dos combustíveis.
Ramo Saúde (48,42%): Segue abaixo da neutralidade, pressionado pela alta de insumos importados em função da desvalorização cambial.
Demais Ramos (Infraestrutura, Consumo e TPBS): Registraram recuo de 13,35%, fechando em 52,48%, mas ainda sustentados na zona de otimismo por conta da demanda de serviços.
RECUPERAÇÕES JUDICIAIS – Um dado relevante do relatório aponta para um amadurecimento das crises financeiras. O primeiro trimestre de 2026 registrou 22 pedidos de recuperação judicial no estado, somando R$ 763,26 milhões. O ponto positivo é a queda no ticket médio dessas ações: de R$ 60,18 milhões em 2025 para R$ 20,83 milhões em fevereiro de 2026, indicando que a exposição financeira atual é mais moderada e controlada do que nos anos anteriores.
SOBRE O IC.COOP/MT – O Índice de Confiança das Cooperativas de Mato Grosso é um termômetro trimestral elaborado pelo Sistema OCB/MT. Ele monitora a percepção das cooperativas sobre o panorama econômico atual e futuro, servindo como ferramenta estratégica para o crescimento sustentável do setor no estado.
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