O Brasil precisaria investir cerca de R$ 148 bilhões para zerar nesta safra o déficit de armazenagem de grãos. A estimativa foi divulgada pela Kepler Weber, empresa de soluções de pós-colheita e termometria digital. Na temporada 2025/26, o Brasil estima produzir 357 milhões de toneladas de grãos, segundo a consultoria Cogo Inteligência de Mercado. A capacidade estática para armazenagem no país é de 223 milhões de toneladas, o que gera um desafio logístico de 135 milhões de toneladas de grãos.
“Este déficit gigantesco e histórico é quase o tamanho da produção de grãos da Argentina. Ao longo dos últimos anos, o agro brasileiro comprovou sua eficiência da porteira para dentro, mas este gargalo logístico no pós-colheita compromete o resultado final e custa muito caro ao Brasil”, comenta Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber.
O avanço anual da capacidade estática, 2,4%, tem se mostrado abaixo do necessário para suprir a demanda, já que a produção avança 4,4% ao ano. O estado do Mato Grosso, líder na produção de grãos no Brasil, concentra a maior quantidade de unidades armazenadoras.
“Fica evidente pelos números que os investimentos para ampliar a capacidade estática no país não estão conseguindo acompanhar a produção e isso representa um custo muito alto ao país e aos agricultores, que acabam tendo que armazenar sua produção a céu aberto”, complementa Nogueira.
Outro desafio apontado pela empresa é impulsionar a capacidade de armazenar nas fazendas. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento mostram que cerca de 16% das unidades armazenadoras estão nas propriedades. Os Estados Unidos possuem 65% da sua capacidade de armazenar dentro das fazendas.
“É um cenário que torna o caminhão parte da armazenagem, pressionando o frete rodoviário, os portos e gerando mais custos à cadeia como um todo”, finaliza Bernardo Nogueira.
PEDIDO AO ESTADO DE MT – A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encaminhou ao governo do Estado de Mato Grosso um protocolo solicitando a adoção de medidas emergenciais voltadas ao fortalecimento da armazenagem agrícola no estado.
O documento destaca a necessidade de ações estruturantes diante do atual cenário logístico e das recentes instabilidades no mercado internacional, que têm impactado diretamente os custos de produção e o escoamento da safra.
Segundo a entidade, Mato Grosso, apesar de liderar a produção nacional de soja e milho, enfrenta um déficit significativo de armazenagem, estimado em 53,5% na safra 2025/26. A entidade alerta que essa limitação compromete a capacidade de retenção da produção nas propriedades, aumenta os custos logísticos, reduz a eficiência do escoamento e impacta a competitividade do produtor rural.
No documento, a entidade também ressalta que fatores externos, como as tensões geopolíticas e a volatilidade no mercado de combustíveis e fertilizantes, ampliam a vulnerabilidade do setor, especialmente em um cenário de dependência da logística de transporte. Diante desse contexto, a Aprosoja MT propõe uma série de medidas, entre elas a desoneração de máquinas, equipamentos e estruturas destinadas à armazenagem agrícola, a revisão de normativas que impactam o setor e o fortalecimento da infraestrutura de energia elétrica no meio rural, com destaque para a ampliação do acesso à rede trifásica.
Em uma primeira conversa com o governador Otaviano Pivetta, a demanda foi compreendida e recebeu sinalização positiva, especialmente em relação à desoneração de alguns itens necessários para a implantação de sistemas de armazenagem. O tema agora deve avançar tecnicamente para a construção de soluções efetivas.
A entidade também solicita a abertura de diálogo técnico com o governo do Estado para a construção de soluções estruturantes que garantam maior resiliência logística à produção agropecuária mato-grossense.
Entre no GRUPO DE WHATSAPP e acompanhe mais notícias relevantes sobre Agronegócio e Indústria



