A decisão do governo federal de acabar com a chamada “taxa das blusinhas” tem apoio de 73% dos brasileiros, segundo pesquisa Nexus/BTG. O levantamento mostra que a maioria da população considera correta a revogação do imposto de importação federal sobre compras internacionais de até US$ 50.
Para a Proteste, associação de defesa do consumidor, o resultado reforça a posição defendida pela organização ao longo do debate: o consumidor deve estar no centro da discussão sobre tributação, comércio eletrônico e competitividade.
A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zera a cobrança federal sobre remessas internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas. Segundo a pesquisa, 15% dos entrevistados avaliam que a decisão foi equivocada, enquanto 12% não souberam/não responderam. O levantamento ouviu 2.045 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 22 e 24 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na avaliação de Henrique Lian, diretor-geral da Proteste, o apoio popular expressivo mostra que o tema ultrapassa a discussão setorial e toca diretamente o bolso das famílias brasileiras. “Quando 73% da população avalia como correta a revogação da taxa, o recado é muito claro. O consumidor entende que esse tipo de cobrança afeta seu poder de escolha e pesa no orçamento. A discussão sobre competitividade é legítima, mas ela precisa ser conduzida sem transferir ao consumidor o custo da proteção de determinados setores econômicos”, afirma Henrique Lian.
A pesquisa mostra ainda que o fim da cobrança pode ter efeito direto no comportamento de compra dos brasileiros. De acordo com o levantamento, 16% dos entrevistados afirmaram que vão voltar a comprar produtos em sites internacionais após a isenção do imposto. Outros 12% disseram que devem comprar mais nesse tipo de plataforma.
Para a associação, os dados indicam que o comércio eletrônico internacional representa uma alternativa relevante para consumidores que buscam melhores condições de preço em um cenário de orçamento pressionado. Medidas tributárias sobre esse tipo de compra precisam considerar seus efeitos práticos sobre o acesso a produtos e sobre a renda disponível das famílias.
“Esse debate precisa ser tratado com responsabilidade. O consumidor brasileiro já convive com alto custo de vida e perda de poder de compra. Criar barreiras que encarecem produtos de baixo valor significa restringir escolhas justamente para quem busca alternativas para equilibrar o orçamento”, completa Henrique Lian.
Com a publicação da Medida Provisória, a decisão passa a depender do Congresso Nacional para se tornar definitiva. Para a Proteste, o apoio registrado pela pesquisa amplia a responsabilidade dos parlamentares na análise do tema.
“O Congresso tem agora a oportunidade de consolidar uma medida alinhada ao interesse do consumidor. A votação deve considerar o impacto real dessa cobrança na vida das pessoas, especialmente em um país onde preço segue sendo fator decisivo para milhões de famílias”, conclui Henrique Lian.
