A decisão do MDB de abrir mão da disputa por vagas na Câmara Federal deixou sem candidatura nomes importantes da política mato-grossense e que já fizeram história com mandatos eletivos. A opção de não lançar chapa para deputado federal foi formalizada na convenção estadual do partido realizada no começo da semana passada. Com isso, o MDB concentrará esforços na disputa ao Senado e na formação da chapa proporcional para a Assembleia Legislativa.
No entanto, a decisão que parece ter um mínimo de razoabilidade nesse momento, pode pesar em desfavor da sigla. Conforme analistas da política de Mato Grosso, a conta pode chegar já em 2028, quando serão realizadas as eleições municipais. Nessa lista de nomes excluídos estão dois ex-prefeitos e um deputado com dois mandatos: Rosana Martinelli, Kalil Baracat e Wagner Ramos, respectivamente. Até às vésperas da convenção estadual do MDB, todos eram apresentados – e foram até lançados – como pré-candidatos do partido.
Sem o termômetro das urnas de outubro, os dois prefeitos devem ver seus nomes ‘esfriarem’ até 2028, já que serão quatros longe dos holofotes do exercício do poder. Nesse cenário, Kalil Baracat deve ser um dos mais prejudicados. Mesmo indo para reeleição com mais de 60% da sua gestão a frente da prefeitura de Várzea Grande aprovada, foi derrotado pela atual prefeita, Flávia Moretti (PL) de ponta a ponta na contagem dos votos. Contrariando as pesquisas de intenção de votos em 2024, Flávia Moretti venceu com 68.760 votos. Kalil teve 61.005 votos. Sem cargo, sem função pública e sem o termômetro das urnas para avaliar seu ativo eleitoral, Baracat corre o risco do esquecimento.
A ex-prefeita de Sinop é atualmente a figura política mais prejudicada pela mudança de rota do MDB aos 45 minutos do segundo tempo. Em abril, Rosana Martinelli trocou o PL pelo MDB a convite de Janaína Riva, com a promessa de concorrer a uma vaga na Câmara Federal.
Também de fora do pleito está o ex-deputado estadual Wagner Ramos. Da região de Tangará da Serra, ele foi deputado por dois mandatos e desde 2018 não exerce cargo eletivo.
Conforme a executiva estadual da legenda, o MDB retirou sua chapa de candidatos a deputado federal, desistindo de disputar as oito vagas na Câmara, para concentrar recursos na candidatura de Janaina Riva ao Senado e no fortalecimento da bancada na Assembleia Legislativa. A mudança estratégica, anunciada após meses de articulação, concluiu que a nominata federal carecia de competitividade, resultando em um redirecionamento total da estrutura partidária. Diante da avaliação de que a legenda poderia não atingir o quociente eleitoral necessário para conquistar uma cadeira na Câmara Federal, a executiva estadual optou por abandonar a disputa proporcional e concentrar esforços na candidatura da deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao Senado e na eleição de deputados estaduais.
DESCONTENTAMENTO VEIO A PÚBLICO – A ex-prefeita de Sinop, Rosana Martinelli, reagiu com forte indignação à decisão de abortar a chapa de candidatos à Câmara dos Deputados. Martinelli explicou que havia “um projeto robusto rumo a Brasília” e que ela lideraria o partido rumo ao Congresso.
Ela usou suas redes sociais para expor sua decepção com a cúpula emedebista. “Fui enganada por um projeto que ruiu. Estou magoada, mas quero deixar claro: eu não desisti. Quem não sustentou a chapa foi o partido”, desabafou a ex-gestora.



