A crise interna no Partido Liberal (PL) de Mato Grosso ganhou contornos públicos com a admissão, por parte do presidente estadual da sigla, Ananias Filho, de que a aliança com o MDB provocou um verdadeiro “tsunami” político.
O dirigente partidário reconheceu que a composição da “dobradinha” ao Senado entre o deputado federal José Medeiros (PL) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB) sacrificou a unidade da extrema-direita no estado. O arranjo, amplamente apontado nos bastidores como uma imposição do senador Wellington Fagundes (PL) para abrigar o projeto eleitoral de sua nora, Janaina Riva, gerou forte descontentamento nas bases bolsonaristas.
A insatisfação com os rumos da coligação pragmática resultou em uma debandada de lideranças, como a desfiliação imediata do prefeito de Campo Novo do Parecis, Rafael Piaia. O gestor municipal optou por deixar o PL após divergir frontalmente da parceria com o MDB e manifestar preferência pelo projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A ruptura gerou forte reação de Wellington Fagundes, que classificou a postura do prefeito como “incoerente” e criticou o uso da “grife Bolsonaro” e de R$ 180 mil do fundo eleitoral da sigla para agora apoiar um adversário.
Além da perda de prefeitos no interior, a crise identitária e a resistência à influência de Wellington Fagundes ficaram evidentes no evento de oficialização do empresário Reinaldo Morais, o “Rei do Porco”, como candidato a vice-governador. O ato foi marcado pelo esvaziamento e ausência de figuras consideradas peças-chave na sustentação da campanha. Não compareceram à solenidade o empresário do agronegócio Odílio Balbinotti (PL), o deputado federal José Medeiros (PL) e a própria Janaina Riva (MDB), evidenciando que o clima na base está longe de ser harmônico, a 50 dias do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026.
Para tentar conter o desgaste político e o isolamento de sua chapa, o grupo governista buscou suporte externo com a presença do senador Jayme Campos (União Brasil), que compareceu ao evento para destilar duras críticas aos adversários comuns. A mesa de autoridades tentou transmitir uma imagem de viabilidade ao reunir também os presidentes do PRD, Aluizio Lima, o representante do MDB, Silvano Amaral, e parlamentares de linha de frente, como o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o vereador Rafael Ranalli (PL).
Apesar do cenário fragmentado na extrema-direita, Ananias Filho manifestou otimismo de que o início dos programas eleitorais, agendado para o dia 20, promoverá a reaglutinação e a “compressão” dos eleitores bolsonaristas.
A aposta da cúpula do PL para eleger Medeiros e Janaina Riva ao Senado sustenta-se no efeito de arrasto gerado pelas candidaturas majoritárias do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e de Wellington Fagundes ao Governo do Estado, confiando na força dos votos de legenda para reverter a crise em vitória nas urnas.



