A agricultura de Mato Grosso vive um momento decisivo, como destaca a Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir/MT). Esse marco é atribuído à aprovação da Lei nº 12.717/2024, que institui a Política Estadual de Agricultura Irrigada e o Programa Estadual de Irrigação (Proei). “Representa um verdadeiro marco para os produtores mato-grossenses. Trata-se de uma conquista construída a muitas mãos, com forte participação da Aprofir, e que estabelece bases sólidas para ampliar a área irrigada, elevar a produtividade e garantir o uso racional dos recursos hídricos”, afirma o presidente da entidade, Hugo Garcia.
Atualmente, Mato Grosso conta com cerca de 220 mil hectares irrigados. “Nosso objetivo é alcançar 4 milhões de hectares até 2030, sempre com responsabilidade ambiental e geração de renda no campo”, defende. A irrigação deve potencializar a produção e agregar valor ao feijão, pulses, frutas e hortaliças.
Para o setor, a nova legislação trouxe mais segurança jurídica, estimulou investimentos e reforçou a adoção de tecnologias mais eficientes no uso da água. Sistemas modernos de irrigação, como pivôs centrais de alta performance, gotejamento, sensores, painéis inteligentes com uso de inteligência artificial e integração com imagens de satélite, permitem produzir mais, com menos desperdício e menor impacto ambiental.
“Na prática, a irrigação vem transformando a produção de feijão, pulses e colheitas especiais em Mato Grosso. Observamos crescimento consistente da segunda e até da terceira safra, maior padronização da qualidade e estabilidade de oferta. Esses fatores são essenciais para atender tanto o mercado interno quanto o externo. A irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta de proteção contra o clima e passou a ser um instrumento estratégico de gestão da propriedade rural”, argumenta Garcia.
As expectativas para a safra 2025/26 são positivas. A tendência, segundo a Aprofir MT, é de crescimento da produção agrícola, impulsionada pela maior adoção de tecnologias de irrigação, conectividade no campo e agricultura de precisão. A irrigação cria condições para o planejamento de longo prazo, o escalonamento de plantio e colheita e maior resiliência frente às oscilações climáticas.
Outro ponto destacado é a diversificação de culturas. Com a irrigação, Mato Grosso amplia seu potencial não apenas nos grãos tradicionais, mas também em feijão, pulses, sementes especiais, frutas e hortaliças. “Isso fortalece cadeias produtivas, agrega valor à produção e abre novas oportunidades nos mercados nacional e internacional. Esse movimento também beneficia a agricultura familiar, promovendo desenvolvimento regional e inclusão produtiva”.
DESAFIOS – Garcia destaca que os custos de implantação dos sistemas de irrigação, a necessidade de capacitação técnica e a adaptação a novas práticas de manejo são obstáculos para muitos produtores. No entanto, esses desafios podem, e devem, ser superados com planejamento, acesso a crédito, políticas públicas eficientes e assistência técnica qualificada.
“A safra 2025/26 se apresenta, portanto, como um ano de transformações. A nova Lei da Irrigação nos oferece as ferramentas necessárias para avançar com segurança, inovação e sustentabilidade. O otimismo é real, mas vem acompanhado de responsabilidade: produzir mais, com eficiência, respeitando a água e o meio ambiente”, destaca.
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