O comércio mato-grossense, liderado e representado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) e pelas Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado, se tornou signatário de um movimento de protesto, da classe empresarial, pelo fim da escala 6×1. Ontem (11), a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), manifestou seu “repúdio veemente e categórico ao ‘fim da escala 6×1’”, por meio de Nota de Repúdio.
Conforme a CNDL, o fim do atual regime de trabalho está previsto na PEC 8/2025, apensada à PEC 221/2019, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, que propõe a redução abrupta da jornada de trabalho para o modelo 4×3, alterando o artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal.
“Esta não é uma manifestação corporativa de resistência a mudanças. Trata-se de um alerta técnico fundamentado do setor produtivo, que paga impostos e gera empregos e renda no país. A proposta, embora motivada por legítimas aspirações de melhoria da qualidade de vida, funcionaria como um ‘bumerangue sobre o bem-estar dos trabalhadores’, produzindo efeitos contrários aos prometidos: desemprego massivo, aumento da informalidade, fechamento de empresas, empobrecimento generalizado e a utilização do tempo livre para atividades de complementação de renda, em vez do almejado descanso”, argumentam os dirigentes na Nota.
Conforme divulgado ontem, pela CNDL, a produtividade do trabalhador brasileiro equivale, por exemplo, a cerca de 25% da produtividade do trabalhador norte-americano. Em valores monetários, uma hora de trabalho no Brasil gera aproximadamente entre US$ 17 e US$ 20, enquanto nos países da OCDE esse valor varia entre US$ 65 e US$ 85. Esse cenário não reflete falta de dedicação ou empenho dos brasileiros, mas sim déficits estruturais de capital, tecnologia, infraestrutura e qualificação.
“A tentativa de reduzir a jornada de trabalho de forma açodada — ainda mais em ano eleitoral — sem antes enfrentar os gargalos estruturais da produtividade, como o Custo Brasil, o momento de adequação à complexidade da nova Reforma Tributária, o déficit de infraestrutura e as limitações de capital humano, é colocar o carro à frente dos bois”, completam.
A experiência internacional, especialmente a europeia, demonstra que a redução da jornada é uma conquista alcançada como consequência do aumento da produtividade, e não sua causa.
“Diante disso, alertamos a sociedade e conclamamos os parlamentares do Congresso Nacional à rejeição da PEC 221/2019 e de seus apensados. A CNDL defende o diálogo técnico, e não a imposição política, tampouco a votação de tema tão sensível em pleno ano eleitoral”, finaliza a CNDL, com aval das entidades estaduais: FCDL e CDLs
PESQUISA – Na outra ponta da polêmica, a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revela que 73% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1. No entanto, quando se aprofunda a pesquisa, esse contingente cai drasticamente se mudança estiver condicionada à redução salarial
CONFIRA ALGUNS DADOS:
• De maneira geral, 63% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1
• Caso não haja redução salarial, número sobe para 73%
• Apenas 28% dos brasileiros são favoráveis ao fim do 6×1 caso isso impacte no pagamento dos trabalhadores
• 84% são a favor dos trabalhadores terem, pelo menos, dois dias de folga na semana
• Apenas 12% da população entende bem o que significa o projeto que propõe fim da escala 6×1
• Quanto mais se discute e entende o projeto, maior é a aprovação dele.

