Com a chegada do Dia Internacional da Mulher – comemorado hoje, dia 8 de março -, o tema da liderança feminina ganha ainda mais relevância nas empresas brasileiras. Embora o número de mulheres em cargos de alta liderança tenha dobrado em 2025, chegando a 6%, a presença feminina ainda é tímida nos altos escalões: elas ocupam cerca de 34% dos cargos executivos e apenas 10% dos assentos em conselhos de administração, segundo pesquisa da Bain & Company.
Apesar desses avanços, a realidade mostra que o progresso ainda é lento: um estudo do Panorama Mulheres indica que apenas 17,4% das empresas com presidência formalizada no Brasil são lideradas por mulheres, número inferior à média mundial de 29%. Esses dados evidenciam que, embora as mulheres já estejam mais presentes no mercado, ainda há um longo caminho para alcançar equidade em níveis hierárquicos mais altos, reforçando a importância de práticas estruturadas de desenvolvimento dentro das organizações.
Para Elenise Martins, fundadora da EMRH Consultoria, “o Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para que as empresas reforcem práticas que promovam equidade e permitam que o talento feminino se destaque em todos os níveis hierárquicos“, afirma.
Segundo a especialista, para impulsionar a carreira das mulheres, o RH pode adotar cinco práticas estratégicas, entre as quais se destacam:
1. Critérios claros sobre progressão de carreira: transparência na comunicação de critérios e oportunidades cria um ambiente mais justo e menos sujeito a favoritismos. “A igualdade de oportunidades se consolida quando todos compreendem as regras do jogo, favorecendo a meritocracia”, afirma Martins.
2. Avaliação de desempenho aliada ao plano de desenvolvimento individual (PDI): acompanhar competências e alinhar expectativas por meio do PDI permite que a profissional visualize seu caminho rumo a promoções e crescimento. “Essas ferramentas ajudam a profissional a entender onde está e o que precisa ser feito para chegar ao próximo nível que almeja”, completa a especialista.
3. Workshop de reintegração no pós-maternidade: reintegrar a mulher após a licença maternidade valoriza o equilíbrio entre carreira e vida pessoal e demonstra uma gestão humanizada. “Cuidar das pessoas se torna uma estratégia corporativa quando entendemos que carreira e vida pessoal se constroem de forma integrada”, comenta.
4. Programas de desenvolvimento de lideranças femininas: treinamentos direcionados ao aprimoramento de soft skills, como comunicação, escuta ativa, colaboração e mediação de conflitos, ajudam a desenvolver competências essenciais para liderança, fortalecendo o potencial humano e tornando a equipe mais preparada e competitiva.
5. Indicadores de equidade: monitorar dados de contratação, promoção, remuneração e ocupação de cargos de liderança permite decisões baseadas em evidências. “Não se trata de privilegiar as mulheres, mas de criar condições equilibradas de crescimento, em que talento, competência e performance sejam os principais critérios”, destaca.
“Investir no desenvolvimento de lideranças femininas não é apenas uma questão de equidade, mas também de estratégia organizacional”, comenta Elenise Martins. “Empresas que promovem a diversidade em cargos de comando tendem a registrar melhor desempenho, maior inovação e equipes mais engajadas. O Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para repensar processos internos e consolidar práticas que garantam que talento, competência e potencial sejam os principais critérios de crescimento profissional, fortalecendo a cultura corporativa e o futuro das organizações.”
MATO GROSSO – O cenário do corpo de colaboradores das indústrias e parques fabris espalhados pelo Brasil passa por uma transformação que não passa despercebida, se há duas décadas o ambiente industrial era dominado pela figura masculina. Hoje a presença feminina nas indústrias não é apenas uma questão de cota social, mas uma vantagem estratégica consolidada.
De acordo com dados recentes do Observatório de Mato Grosso elaborado pelo Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt), a participação feminina no setor industrial do estado mantém uma trajetória de crescimento, ultrapassando os 22% de cargos ocupados, em áreas antes consideradas “pesadas”, como a metalurgia, automação e de operação de máquinas.
Um destes postos de trabalho conquistado por uma mulher é da operadora de máquinas, Lucinéia Figueiredo, de 45 anos, que há cinco anos trabalha nas indústrias Refrigerantes Marajá. Ela conta que seu primeiro emprego foi como cobradora de ônibus, mas se encontrou mesmo profissionalmente na indústria, na empresa iniciou como inspetora de garrafas e com tempo subiu de função e atualmente é operadora de máquinas. “Eu gosto do que faço hoje, lá atrás foi a primeira vez que eu tinha entrado em uma indústria e não tinha noção de como que era, mas hoje eu prefiro trabalhar com máquina do que com gente. Quando comecei eram poucas mulheres na operação das máquinas e agora somos mais mulheres atuando, e deve ser porque somos mais caprichosas na hora de fazer as tarefas que os homens, não é?”, brincou.
