Dólar abriu o mercado de ontem (3) em alta, operando em clima de forte cautela. O dólar iniciou o dia cotado a R$ 5,24 na abertura das negociações. No decorrer da manhã, a moeda acelerou o movimento e passou a ser negociada próxima de R$ 5,27. A pressão compradora reflete um ambiente global de forte aversão ao risco, com investidores buscando proteção em ativos considerados seguros.
O sentimento do mercado permanece altamente cauteloso, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio após ataques de EUA e Israel ao Irã, o que elevou a volatilidade do petróleo e favoreceu o fortalecimento do dólar frente a moedas emergentes. Em momentos de incerteza, fluxos tendem a migrar para a moeda americana, movimento visível também na alta do dólar futuro registrada pela manhã.
“No Brasil, investidores monitoraram indicadores de atividade, juros e contas públicas, além da repercussão dos dados do PIB de 2025 divulgados na véspera, que apontaram crescimento de 2,3% e influenciam expectativas sobre política monetária e fiscal. No exterior, o foco permanece no conflito no Oriente Médio, que sustenta o petróleo acima de US$ 80 e amplia a aversão ao risco global, nas expectativas para o Federal Reserve, especialmente diante da proximidade da mudança na presidência do banco central americano prevista para maio, fator que adiciona incerteza à condução dos juros nos EUA, e nos dados de inflação e atividade nos EUA, que seguem influenciando apostas sobre cortes de juros ainda em 2026”, explica Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas.
CENÁRIO INTERNACIONAL – O choque geopolítico e a disparada do petróleo, que tende a pressionar economias dependentes da commodity, reforçam o fluxo para o dólar como porto seguro. Analistas seguem destacando que cada alta de cerca de 10% no petróleo pode fortalecer a moeda americana entre 0,5% e 1% devido ao aumento da aversão ao risco global. Combinado a isso, o mercado observa atentamente movimentos da China e da Rússia, que continuam sendo fatores relevantes para moedas emergentes, incluindo o real.
O OURO — Segundo Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o metal iniciou a terça-feira cotado a US$ 5.336,45 na abertura. Logo nas primeiras horas, a commodity recuou para cerca de US$ 5.182, queda de 2,44% em relação ao fechamento anterior. O movimento reflete uma realização de lucros após a forte valorização recente e a pressão do dólar mais forte no mercado internacional, que tende a tornar o metal menos atrativo.
O ambiente global segue marcado por alta aversão ao risco, impulsionada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que também tem elevado a volatilidade nos mercados acionários e reforçado a procura por liquidez em dólar, deslocando parte dos fluxos antes direcionados a metais preciosos. O sentimento, portanto, é de cautela, com investidores reduzindo posições em ativos que vinham acumulando ganhos consecutivos.
“Os mercados seguem atentos aos impactos do conflito no Oriente Médio, ao comportamento do petróleo, que se mantém em forte alta e pressiona expectativas de inflação, e a indicadores de atividade econômica tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No campo doméstico, o mercado acompanha dados recentes do PIB brasileiro e debates sobre política fiscal, fatores que compõem o pano de fundo para expectativas sobre a condução monetária pelo Banco Central”.
No exterior, discursos de autoridades do Federal Reserve e dados de inflação americana permanecem no radar, podendo influenciar projeções para cortes ou manutenção dos juros ainda este ano.
“O ouro esteve pressionado e registramos um mercado operando em clima de prudência, reagindo a riscos geopolíticos, expectativas monetárias e fluxos defensivos que ditaram o compasso dos ativos nesta terça-feira”, completou Maurício.

