Mato Grosso consolida-se como uma das principais vitrines do novo ciclo econômico brasileiro: com taxa de desemprego de apenas 2,2%, segundo dados do IBGE do final de 2025 divulgados em 2026. O estado combina forte crescimento do PIB, vocação para a economia sustentável e uma expansão acelerada do crédito para micro e pequenas empresas. Esse movimento é impulsionado por uma articulação entre Sebrae, cooperativas de crédito e bancos públicos, que vem derrubando barreiras históricas de acesso ao financiamento e mudando a realidade de milhares de empreendedores através do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe).
O MT Econômico portal de notícias que apoia o desenvolvimento econômico e social de Mato Grosso traz nessa matéria especial um pouco mais sobre o tema.
Durante agenda em Cuiabá, o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, destacou que a instituição vive “um momento muito diferente da sua construção histórica”, resultado de uma forte integração entre Sebrae Nacional e os 27 estados. “Há três anos atendíamos 20 milhões de brasileiros. Hoje, com o sistema integrado e horizontalizado, conseguimos levar programas como o Pró-Catadores para 20 estados em apenas um ano”, afirmou, citando o programa de economia circular e inclusão produtiva.
O ponto central dessa virada é o crédito. Décio Lima ressaltou que, por 28 anos, a carteira do Sebrae permaneceu praticamente inalterada, mas a reestruturação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe) mudou o cenário. “Temos hoje uma oferta de cerca de R$ 30 bilhões em crédito para as microempresas. Só com a reestruturação do Fampe, já liberamos R$ 13 bilhões em crédito aos microempreendedores”, disse. Em 2025, o Fampe viabilizou R$ 145 milhões em crédito para pequenos negócios mato-grossenses, beneficiando 2.249 empresas no estado.
Décio enfatizou que o fundo atua como garantidor complementar, rompendo a barreira das garantias reais exigidas pelos bancos. Em Mato Grosso, o desempenho de 2025 superou a meta mobilizadora de R$ 85,1 milhões em garantias e alcançou R$ 115 milhões concedidos. “O Fampe assegura até 80% do valor das operações, podendo chegar a 100% no caso de negócios liderados por mulheres”, explicou. Segundo ele, a inadimplência geral dos programas gira entre 3% e 4%, enquanto entre mulheres empreendedoras “não há inadimplência”, o que reforça o potencial desse público.
A mudança cultural em relação ao crédito também foi tema da fala de Décio. “O povo brasileiro tem um bloqueio cultural: ‘eu não pego crédito porque vou falir’”, comentou, lembrando que 88% das micro e pequenas empresas não tinham acesso a financiamento. Ao combinar crédito assistido — com consultorias e acompanhamento de gestão — e parcerias com o sistema cooperativo, o Sebrae busca reverter esse quadro. “A forma como o sistema cooperativo de crédito entrega o crédito para o nosso povo abraça a pequena economia, quer o sucesso dela”, afirmou.
Além de ampliar o crédito, o Sebrae vem consolidando sua imagem junto à sociedade. Em três anos, a marca saltou da 20ª para a 4ª posição em credibilidade entre os brasileiros. “Se fôssemos uma empresa privada, teríamos passado de R$ 7,6 bilhões para R$ 33,9 bilhões em valor de mercado”, exemplificou Décio Lima, ao comentar a nova percepção sobre o papel da instituição na economia.
Mato Grosso também foi apontado por Décio Lima como símbolo da economia sustentável. “Aqui temos três biomas — Amazônia, Cerrado e Pantanal. Não tem mais volta a um modelo de economia que não seja sustentável. O Mato Grosso é uma parada obrigatória para isso”, avaliou. O presidente do Sebrae lembrou ainda que o estado tem sido pauta internacional pelo potencial em minerais e novas cadeias econômicas, o que amplia oportunidades para pequenos negócios em setores como bioeconomia, serviços e indústria de transformação.
Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, presente na agenda, o desempenho do estado traduz um “Brasil que cresce” e muitas vezes não é percebido pelos grandes centros financeiros. “O Brasil que cresce talvez a ‘Faria Lima’ não consiga compreender”, disse, ao ressaltar o papel do agro e das cadeias associadas na sustentação do emprego e da renda.
Na cerimônia de premiação realizada nesta quinta-feira (5), em Cuiabá, organizada pelo Sebrae-MT, foram reconhecidas como maiores operadoras do Fampe no estado as instituições Sicoob Integração, Sicoob Credisul e Desenvolve MT. Também receberam placas de reconhecimento de parceria estratégica a Central Sicredi Centro Norte, Sicoob Central Rondon, Cresol Mato Grosso e Sicoob Credip. A parceria com o FGBS/BNDES foi considerada fundamental, viabilizando cerca de R$ 68 milhões aos pequenos negócios.
A diretora-superintendente do Sebrae-MT, Lélia Brum, destacou o impacto dessa articulação no dia a dia dos empreendedores. “Quando o crédito chega na ponta, na sorveteria da periferia, na pequena indústria, na loja de bairro, a economia local se transforma. Cada operação garantida pelo Fampe é um emprego preservado ou criado em Mato Grosso”, afirmou.
Já o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-MT, Jonas Alves, ressaltou a continuidade da presença da instituição no estado. “Não é por acaso que esta já é a terceira, quarta, quinta vez que recebemos a direção nacional aqui. Mato Grosso tem um potencial significativo e uma responsabilidade enorme para com o Brasil, e o Sebrae está comprometido com isso”, disse.
A combinação de desemprego em baixa, expansão do crédito garantido, foco em sustentabilidade e protagonismo de mulheres e pequenos empreendedores coloca Mato Grosso no centro da agenda nacional de desenvolvimento. O desempenho do Fampe e das parcerias locais mostra que, quando a barreira das garantias é superada, a base produtiva responde com crescimento e baixa inadimplência. Em um país ainda marcado por desigualdades, a experiência mato-grossense indica que o fortalecimento das micro e pequenas empresas é caminho estratégico para gerar emprego, renda e competitividade em um mercado cada vez mais globalizado.
