“O ouro está cotado a US$ 4.038 por onça-troy e acumula quedas de 6,76% em um mês e 16,87% em três meses, mas ainda preserva valorização superior a 20% em 12 meses. Essa diferença mostra que o mercado atravessa uma correção depois da alta de 64% registrada em 2025, com realização de ganhos e revisão das expectativas que haviam levado o metal às máximas históricas”, explica o analista do setor, Mauriciano Cavalcante.
O fator central agora é a perspectiva para os juros americanos. A alta do petróleo elevou o risco de que a inflação volte a acelerar, reduzindo o espaço para uma política monetária mais branda nos Estados Unidos. O tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros acrescenta outra camada de incerteza, porque pode pressionar custos, afetar fluxos comerciais e aumentar a volatilidade do câmbio.
“Para o investidor brasileiro, uma eventual valorização do dólar pode elevar o preço do ouro em reais, mesmo em momentos de acomodação da cotação internacional. A lista de exceções reduz o impacto direto da medida, mas não elimina seus efeitos sobre expectativas e moedas”, complementa o analista.
Juros americanos elevados fortalecem os rendimentos dos títulos dos Estados Unidos e aumentam o custo de oportunidade do ouro, que não oferece remuneração periódica. Para os próximos meses, o metal deve permanecer volátil: uma retomada mais consistente dependerá de inflação controlada, juros reais menores e dólar mais fraco, enquanto petróleo caro, tarifas comerciais e uma postura mais rígida do Federal Reserve podem limitar a velocidade da recuperação, prevê Mauriciano Cavalcante.


