O real deve iniciar um movimento mais consistente de valorização a partir de 2026, segundo projeção de Rodrigo Xavier, economista CEO da Oz Câmbio. A estimativa considera o impacto do ciclo global de queda de juros, especialmente nos Estados Unidos, que tende a reforçar o apetite por operações de carry trade no Brasil. Em 2025, porém, a antecipação do pagamento de dividendos por multinacionais, motivada pela tributação de 10% que passa a valer em 2026, deve gerar maior saída de capital e volatilidade no câmbio.
“O comportamento do dólar segue condicionado a variáveis políticas e econômicas, como as decisões do Federal Reserve, as sinalizações do Banco Central do Brasil e eventuais mudanças na política fiscal dos dois países”, explica o executivo.
De acordo com Xavier, o Banco Central brasileiro deve manter uma postura conservadora nos próximos meses. Apesar da Selic ainda figurar entre as maiores taxas de juros reais do mundo, o espaço para novos cortes em 2025 é restrito, dada a persistência da inflação acima da meta e a sensibilidade das expectativas ao cenário fiscal.
“A expectativa é de que o movimento mais relevante para o câmbio ocorra em 2026, quando o ritmo de cortes de juros nos EUA pode tornar o Brasil ainda mais atrativo no diferencial de taxas. Esse ambiente favorece a entrada de capital estrangeiro e contribui para a valorização do real”, afirma o executivo.
SETORES MAIS EXPOSTOS E BENEFICIADOS PELO CÂMBIO – Com um cenário de valorização do real a partir de 2026, Xavier aponta que segmentos dependentes de insumos importados, varejo de produtos estrangeiros, companhias aéreas e turismo internacional devem se beneficiar da redução de custos atrelados ao dólar. Empresas com dívidas na mesma moeda também podem observar melhora nas margens, desde que possuam proteção adequada.
Em contrapartida, exportadoras, agronegócio e setores industriais com forte vocação externa tendem a enfrentar pressões competitivas, já que o câmbio mais baixo reduz a receita em reais e exige maior eficiência para manutenção de resultados.
RISCOS INFLACIONÁRIOS E INCERTEZAS FISCAIS – O especialista alerta que a inflação brasileira ainda pode sofrer pressões no segundo semestre de 2025, impulsionadas por commodities, gargalos logísticos e oscilações pontuais do câmbio. Entretanto, um real mais forte em 2026 tende a aliviar parte desses efeitos, reduzindo custos de importação e ajudando no controle de preços.
Além disso, a mudança na tributação de dividendos, que passa a vigorar em 2026, deve levar empresas globais a anteciparem distribuições ao exterior ainda em 2025, o que pode intensificar a saída de capital neste ano. “Essa antecipação cria um efeito temporário de pressão sobre o real, mas não altera a tendência estrutural de valorização prevista para 2026”, observa o economista.
RECOMENDAÇÕES PARA EMPRESAS EXPOSTAS AO CÂMBIO – Diante de um cenário que combina volatilidade em 2025 e melhora estrutural em 2026, Xavier recomenda que empresas com exposição internacional adotem uma estratégia ativa de gestão cambial, baseada em planejamento, diversificação e monitoramento contínuo.
“É essencial antecipar necessidades de pagamento e recebimento em moeda estrangeira ao longo de 2025, quando o ambiente tende a ser mais volátil”, sugere o CEO da Oz Câmbio. “Para 2026, a expectativa de valorização do real exige que empresas repensem seus modelos de proteção e aproveitem janelas favoráveis para operações estruturadas.”
FLUXO DE CAPITAIS E PERCEPÇÃO DE RISCO – O ambiente global de desaceleração econômica e tensões geopolíticas continua influenciando o apetite por risco entre investidores estrangeiros. Em 2025, a saída antecipada de dividendos deve intensificar a volatilidade e provocar movimentos de desvalorização temporária do real. Apesar disso, investimentos produtivos devem seguir relativamente estáveis, concentrados em setores como infraestrutura, energia e agronegócio.
A partir de 2026, a combinação de juros mais baixos nos EUA e diferencial favorável ao Brasil deve ampliar o fluxo de capital para o país, fortalecendo o real e sustentando a tendência de valorização da moeda. “O Brasil deve continuar atraindo capital de longo prazo, enquanto os fluxos financeiros de curto prazo tendem a reagir positivamente ao novo ambiente global de juros”, conclui Rodrigo Xavier.
