O comércio varejista brasileiro deve registrar números positivos no meio do ano, mas o cenário exige cautela por parte dos varejistas. É o que revela o cruzamento das pesquisas de Projeção de Vendas e Projeção de Inadimplência para o mês de junho de 2026, ambas desenvolvidas pelo IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo) em parceria com a FIA Business School.
Pelo lado do consumo, a estimativa aponta um crescimento de 5,73% para o Varejo Ampliado em junho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O Varejo Restrito, embora projete uma leve queda de 0,20% em relação a maio, mantém uma perspectiva de alta de 2,17% no comparativo anual.
No entanto, esse ímpeto de compra contrasta com a deterioração da saúde financeira das famílias. O estudo de inadimplência do Instituto projeta que a taxa média de atrasos no segmento de Pessoas Físicas com Recursos Livres (que inclui as modalidades mais caras de crédito) ficará em 7,15% em junho de 2026. O grande alerta, segundo os pesquisadores, é que o aumento relativo dos atrasos já observados em abril indica uma forte tendência de que a inadimplência encoste no limite superior da projeção, chegando a 7,48%.
“Os dados mostram um consumidor que, embora continue indo às compras em determinados setores, está financiando esse consumo de forma arriscada. O crescimento das vendas, especialmente em bens duráveis, precisa ser relativizado pelo fato de que a dificuldade em honrar esses compromissos financeiros está aumentando de forma perigosa no crédito livre”, analisa o Prof. Dr. Claudio Felisoni de Angelo, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School.
As projeções basearam-se em séries temporais fornecidas pelo Banco Central do Brasil. Em ambos os casos, o recorte histórico inicia-se em setembro de 2016.
Destaques Setoriais das Vendas (Junho 2026 X Junho 2025):
Apesar do cenário de crédito restrito, alguns setores devem puxar o índice de vendas para cima:
– Combustíveis e lubrificantes: Alta projetada de 8,92%
– Móveis e eletrodomésticos: Crescimento estimado em 8,48%
– Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: Avanço de 8,24%
– Veículos, motos, partes e peças: Projeção de alta de 7,85%
– Livros, jornais, revistas e papelaria: Na contramão, o setor deve amargar a maior queda, recuando 14,80%
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