O governador Mauro Mendes decidiu dar um passo além na própria trajetória política e colocou oficialmente seu nome na corrida pelo Senado Federal. Para viabilizar a pré-candidatura, ele anunciou nesta quinta-feira (26) que deixa o comando do Palácio Paiaguás no dia 31 de março, abrindo caminho para disputar uma vaga que considera estratégica para “defender Mato Grosso em Brasília”.
Ao lado da primeira-dama, Virginia Mendes – apontada por aliados como uma das principais conselheiras na decisão –, Mauro tratou o anúncio como encerramento de um ciclo e, ao mesmo tempo, início de outro. Ele aposta no legado de gestão como principal ativo eleitoral para o novo projeto. “Pegamos um Estado quebrado, com salários atrasados, obras paradas e sem credibilidade, e hoje entregamos um governo com as contas em dia, investimentos recordes e que recebe elogios do Brasil inteiro”, afirmou, já em tom de prestação de contas a um eleitorado que agora pretende conquistar em esfera nacional.
O movimento recoloca Mauro Mendes no centro do tabuleiro eleitoral de 2024. Após sete anos à frente do governo, ele tenta transformar em capital político os indicadores que exibe como vitrine: mais de 7 mil quilômetros de rodovias asfaltadas – “mais do que fizeram nos últimos 270 anos”, como gosta de repetir –, a escalada da educação de 22º para 8º lugar no ranking nacional, seis grandes hospitais novos (dois já entregues), redução dos principais índices de criminalidade e o que classifica como “maior investimento da história” na área social. “Quando paramos pra pensar nas mudanças que esse estado passou, conseguimos ver que hoje está muito melhor viver em Mato Grosso”, resumiu, em um discurso claramente voltado ao eleitor que o verá, a partir de agora, como postulante ao Senado.
Na prática, a renúncia é o primeiro gesto concreto da pré-campanha. Mauro faz questão de frisar que a decisão foi amadurecida em consulta à família, amigos, lideranças políticas e à população dos 142 municípios que diz ter visitado ao longo do mandato. “Em todos eles, sem exceção, fizemos robustos investimentos para melhorar a vida das pessoas […]. E em cada município, fui recebido com muita alegria e apoio para esse projeto”, relatou, indicando que o giro pelo interior já funcionou como espécie de prévia eleitoral.
O agora ex-governador também busca construir um discurso de coerência entre a postura crítica que adotou em relação à política e o novo passo rumo ao Senado. “Antes de entrar na política, eu criticava os políticos. Até que decidi entrar para fazer diferente e mostrar que com Deus na frente, honestidade e trabalho sério, é possível mudar a vida das pessoas”, disse. Ao mirar o Congresso, ele mira, sobretudo, a legislação federal, que qualifica como travas ao desenvolvimento. “Tenho criticado muito as leis federais que emperram o estado, o país, e incentivam a impunidade e a injustiça. Acredito que chegou a hora de fazer mais do que criticar e cobrar, e sim me colocar à disposição para que tenhamos leis mais eficientes e voltadas à realidade de Mato Grosso e do Brasil, especialmente na Segurança Pública”, completou, já desenhando o eixo central da futura plataforma de campanha.
Com a saída de Mauro, o vice-governador Otaviano Pivetta assume o comando do Estado a partir de 31 de março, em cerimônia marcada para as 16h. Mauro faz questão de apresentar Pivetta como fiador da continuidade. “Ele esteve ao nosso lado nesses sete anos e três meses, ajudou em diversas das melhorias que estamos conseguindo entregar para a população […]. Já foi prefeito de Lucas do Rio Verde, tem muita experiência de governo e vai dar sequência nesse trabalho para que Mato Grosso continue melhorando para todos”, destacou.
Ao se lançar ao Senado, Mauro Mendes tenta se reposicionar de gestor estadual a articulador nacional de pautas caras ao eleitorado mato-grossense, como segurança pública, ambiente de negócios e repartição de recursos entre União e estados. A disputa, agora, será levar para o palanque o discurso de “Estado que saiu do buraco e virou referência” e convencer o eleitor de que essa “virada de jogo” pode ser projetada para Brasília.

