A vereadora de Várzea Grande Rosy Prado (UPB) deve acionar judicial e administrativamente o vereador Kleberton Feitoza Eustaquio (PSB) por crimes de calúnia, difamação, injúria e violência política de gênero. Em comunicado encaminhado à Presidência da Câmara Municipal e tornado público nesta quinta‑feira (23), a parlamentar explicou que sua ausência na sessão do dia se deu por abalo emocional e temor pela própria integridade, após uma sequência de ataques recebidos por mensagens de áudio.
Segundo Rosy, os fatos ocorreram na noite de ontem, por volta das 22h, quando Kleberton Feitoza enviou, via WhatsApp, uma primeira mensagem manifestando descontentamento ao ver um de seus eleitores sair do gabinete da vereadora. O tom inicial, de cobrança política, teria sido de insinuação de que Rosy estaria “cooptando” eleitores da base do colega.
Diante da opção da vereadora de não responder, o episódio escalou. “Após ignorar a manifestação do colega, ele passou a encaminhar áudios, na modalidade de visualização única, com o objetivo claro de violar a minha integridade moral”, relata Rosy. Prevendo que poderia ser alvo de novas agressões, ela afirma ter tomado o cuidado de ouvir as mensagens gravando o conteúdo em outro aparelho celular.
Oito áudios e acusações graves
De acordo com a vereadora, são aproximadamente oito áudios atribuídos ao vereador Kleberton Feitoza. Neles, seria possível identificar a prática de crimes contra a honra. “As ofensas vão desde acusação de que esta vereadora estaria recebendo ‘mesadinha’ — subentendendo-se tratar de algum tipo de propina, sem informar de quem — até acusações de que esta parlamentar estaria ‘furando fila’ do SUS ou mesmo beneficiando terceiros com essa prática”, aponta.
Rosy afirma ainda que Kleberton teria dirigido ofensas também a familiares, o que, segundo ela, ultrapassa qualquer limite do debate político. Todas as acusações, enfatiza, são “absolutamente desprovidas de qualquer verdade” e têm “nitidamente o objetivo de caluniar, injuriar e difamar” sua imagem pública.
Abalo emocional e histórico de conduta
No informe enviado à Câmara, a vereadora diz ter ficado “muito abalada emocionalmente” e passou a temer por sua integridade, o que motivou sua ausência, justificada, na sessão desta quinta‑feira. Ela sustenta que o temor é reforçado pelo histórico de comportamento do colega.
Rosy cita, como exemplos, um episódio em que o vereador Kleberton teria adotado postura agressiva contra a médica Mariana Oliveira Pedroso, durante fiscalização em unidade de saúde do município, e o fato de o parlamentar já ter sido conduzido coercitivamente à delegacia por desacato a policiais militares em 2021. “Percebe-se tratar de pessoa com histórico violento e desequilibrado”, afirma a vereadora, em tom duro.
Possíveis consequências: decoro, área criminal e danos morais
A equipe jurídica de Rosy Prado prepara um conjunto de medidas em diferentes frentes. No campo administrativo, ela pretende protocolar representação por quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Várzea Grande, além de levar o caso formalmente ao Partido Socialista Brasileiro, sigla de Kleberton Feitoza.
Na esfera judicial, a vereadora anuncia que ingressará com representação criminal junto ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso e com ação cível para reparação de danos morais. Os áudios, gravados em outro aparelho, devem ser apresentados como prova.
Se confirmadas as condutas, Kleberton poderá responder, em tese, por injúria, calúnia e difamação — crimes previstos no Código Penal — e também por eventual violação à legislação que protege a honra e a dignidade de mulheres na política, em um contexto que vem sendo cada vez mais enquadrado como violência política de gênero.
Defesa do mandato e crítica à violência contra mulher
Em sua manifestação, Rosy faz questão de defender sua trajetória e a forma como conduz o mandato. Ela afirma que tem se dedicado “exaustivamente” ao cumprimento “ético e probo” de suas funções, “em prol da população várzea‑grandense, especialmente das minorias, dos vulneráveis e daqueles que mais precisam da atenção do poder público”.
A vereadora também lamenta o contexto em que o episódio ocorre. “É profundamente lamentável que, em um momento tão delicado de nossa sociedade, em que os legisladores, em todos os níveis, se organizam para endurecer as regras contra crimes praticados contra a mulher, eu tenha que conviver, em meu ambiente de trabalho, com um homem como Kleberton Feitoza Eustaquio”, dispara.
Rosy descreve o colega como “conhecido popularmente por sua postura agressiva, desrespeitosa e muitas vezes criminosa” e afirma ser “lamentável” que esse tipo de comportamento se manifeste dentro do próprio Parlamento municipal.
Próximos passos
Os próximos dias devem ser marcados pelo protocolo das representações na Câmara, no partido e no Ministério Público, além da eventual judicialização na esfera cível. A partir disso, o caso pode gerar desde abertura de processo por quebra de decoro — que pode culminar em sanções internas ao vereador — até denúncias criminais, se o MP entender que há elementos suficientes.
Procurada, a defesa do vereador Kleberton Feitoza Eustaquio ainda não se manifestou sobre as acusações.
