Nesta última ‘super quarta do ano’, o olhar do mercado está menos na decisão numérica e mais no “recado” que FED e Copom vão entregar aos investidores. Nos EUA, a expectativa majoritária é por mais um corte de 0,25 pontos percentuais (p.p.), mas com um tom mais duro. É o chamado hawkish cut: o FED corta para não travar a atividade, mas, sinaliza que não está disposto a estender demais esse ciclo enquanto a inflação segue acima da meta e os dados (ainda prejudicados pelo período de shutdown) e que não oferecem segurança. “Ou seja: o mercado até quer enxergar mais cortes para 2026, mas Powell pode entregar justamente o contrário, usando possivelmente a coletiva para esfriar o excesso de otimismo dos preços”, avalia o economista, José Áureo Viana.
No Brasil, o Copom chega com uma previsibilidade maior: manutenção da Selic em 15% ao ano, reconhecendo a desaceleração da atividade e o alívio inflacionário, mas ainda travado pelo risco fiscal. “A mensagem deve ser de continuidade: juros altos por mais tempo, com qualquer discussão de corte ficando mais para frente, em 2026, num processo muito gradual. Aqui, o que realmente importa é o tom do comunicado, se o Banco Central vai abrir, mesmo que de forma sutil, a porta para uma normalização futura, ou se reforçará o conservadorismo diante das incertezas fiscais”, pontua.
Em resumo, como frisa Viana, esta super quarta não é sobre “virada de ciclo”, mas sobre expectativas. Um FED entregando corte com possivelmente um discurso duro e um Copom mais rígido que flexível podem trazer volatilidade no curto prazo, mas ajudam a ancorar um cenário em que o ajuste monetário global segue vivo, porém em velocidade e direção bem diferentes entre Washington e Brasília.
