Viajar no fim do ano continua sendo um dos maiores desejos dos brasileiros e também um dos maiores desafios para quem tenta equilibrar gastos sazonais com a manutenção da saúde financeira. Entre passagens aéreas em alta, hospedagens mais caras e o risco de comprometer investimentos importantes, fazer o planejamento antecipado é a única forma de garantir férias tranquilas sem abrir mão dos investimentos voltados para outras metas.
Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos, afirma que o primeiro passo para quem deseja viajar é criar uma reserva específica para esse objetivo. “Se existe a intenção de realizar essa viagem, no fim de ano ou em qualquer outro momento, o ideal é separar parte do orçamento mensal e ir poupando. Em viagens internacionais, aplicar diretamente em dólar ajuda a proteger o plano mesmo diante de uma crise momentânea ou disparada cambial”, afirma.
Viagem como objetivo de curto prazo: onde investir para não correr riscos
Quando a viagem está planejada para acontecer entre três e 12 meses, a escolha dos ativos é determinante. Nesse horizonte curto, previsibilidade e liquidez são essenciais.
Cunha destaca que títulos pós-fixados atrelados ao CDI, como CDBs de liquidez diária, fundos DI com taxas baixas e contas remuneradas, são opções eficientes. Títulos públicos, como o Tesouro Selic, também ganham destaque por oferecerem segurança e resgates rápidos. “Quando o objetivo está próximo, não faz sentido correr riscos desnecessários. O foco deve ser garantir que o dinheiro esteja acessível na data da viagem”, explica.
As chamadas ‘caixinhas’ oferecidas por algumas instituições financeiras, que funcionam como espaços separados para metas específicas, também são alternativas interessantes para quem busca simplicidade e organização. A remuneração, que pode chegar a 120% do CDI, é atraente, especialmente para metas de curtíssimo prazo. Contudo, o investidor deve observar as regras de cada instituição. Em alguns casos, o retorno maior depende de permanência mínima ou condições específicas de uso.
“As caixinhas são excelentes para organizar o dinheiro da viagem, desde que o investidor entenda como funciona a remuneração, a liquidez e eventuais limitações”, pondera Cunha.
Quando parcelar, resgatar investimentos ou usar milhas
A dúvida entre pagar à vista ou parcelar costuma ser central nessa época do ano. Cunha orienta que, se o parcelamento for realmente sem juros, o caminho financeiro mais eficiente geralmente é dividir o valor. A atenção deve estar no limite do orçamento. “Vale parcelar, mas o total da viagem não pode extrapolar a capacidade financeira, mesmo quando as condições parecem vantajosas”, alerta.
O especialista também destaca que, diante da alta demanda e dos preços mais elevados característicos da temporada, resgatar investimentos pode se tornar um mau negócio. Aplicações de prazo mais longo podem sofrer deságios. Por isso, antecipar a compra de itens mais caros, como passagens e hospedagens, se torna essencial.
Despesas subestimadas também costumam pesar no bolso. “Custos como restaurantes, passeios e itens locais são mais difíceis de prever e costumam aumentar no fim do ano. Criar uma margem de segurança realista é fundamental para não estourar o orçamento durante a viagem”, finaliza Cunha.

