Mato Grosso de oportunidades precisa tornar-se cada vez mais um Mato Grosso de mais realizações. É fato que os grandes agregados macroeconômicos do estado estão bem encaminhados, a exemplo da taxa de (des)emprego em níveis de pleno emprego, taxas de crescimento do PIB acima da média nacional, equilíbrio fiscal superavitário, etc.
Apesar disso tudo e das grandes obras por todo estado, que impactará como atrativo para novos investimentos, todavia, com a reforma tributária em implantação, esse novo regramento fiscal exigirá redução dos gastos tributários, o que forçará os entes federados abandonarem em grande monta a guerra fiscal e promover a concorrência infraestrutural, isto é, estado que instalar mais e melhor infraestruturas (básica, social, ambiental e institucional) terá maior capacidade de atração de novos investimentos.
Além disso, em dados oficiais revisados divulgados recentemente pelo IBGE sobre o PIB de 2023 em Mato Grosso, apreende-se dali que o PIB per capita por atividade econômica mostra que o per capita do agro ou setor primário está em R$ 25.480, mesmo com sua alta complexidade produtiva (alta tecnologia); da indústria ou setor secundário crava em R$ 11.233; e o do comércio e serviços fica em R$ 39.054.
Vale lembrar que o PIB per capita médio do estado encontrava-se em R$ 74.620 naquele ano, acima da média nacional, segundo a mesma fonte.
Daí a importância e necessidade da industrialização, que para tanto, será necessário que o govenador e o prefeito e suas equipes busquem união de forças, acelerem e acertem a fisgada em torno de ações de modernização e ampliação do nosso DIC (Distrito Industrial de Cuiabá), conforme sugerido pelo atual presidente da AEDIC (Associação dos Empresários do Distrito Industrial de Cuiabá), não deixando, obviamente, de avançar com essa ideia para outros distritos instalados no estado à dentro.
Estas obras serão importantes não somente para o processo de industrialização de Cuiabá e Mato Grosso como proporcionará carga de produto com valor agregado, visando fortalecer a implantação da ferrovia com o melhor traçado possível e que se reforce, inclusive, o traçado até Cáceres devido a ZPE ali instalada (Zona de Processamento de Exportações), e ir avançando em direção ao pacífico, o que também abrirá novos trilhos para outros segmentos industriais no estado para além da agroindústria.
A respeito da possível diversificação industrial, oportuno ater-se em M. KAKU (2002), físico teórico e cientista que já alertava para o fato de que “no fim do século XX, a ciência havia chegado ao término de uma era, desvendando os segredos do átomo, desemaranhando a molécula da vida e criando o computador eletrônico. Esta fase épica da ciência está agora se encerrando; uma era está terminando e outra apenas começa. O século XXI, diferentemente dos anteriores, será caracterizado pela sinergia, a fecundação cruzada entre os três campos, que marcará uma nítida reviravolta no desenvolvimento da ciência. A polinização por cruzamento entre essas três revoluções (quântica, informática e biomolecular) será amplamente acelerada e enriquecerá o desenvolvimento da ciência. Em consequência dessas revoluções, algumas nações traçaram listas das tecnologias que servirão como os motores da riqueza e da prosperidade no século XXI, a mencionar: microeletrônica, biotecnologia, indústrias da ciência dos novos materiais, telecomunicações, manufatura de aeronaves civis, máquinas-ferramentas e robôs, e computadores.”
A ciência consubstanciada em PD&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação) tem sido a base para o avanço tecnológico, e no âmbito mato-grossense caberá às quatro comadres, em conexão, UFMT, UNEMAT, IFMT e UFR, firmarem parcerias entre si e com universidades nacionais e internacionais nessas áreas tecnológicas mencionadas pelo referido autor, o que requererá um montante elevado de capital.
A respeito do capital, a história mostra que o conceito de fusões de capitais vem ocorrendo desde a fusão entre o capital mercantil e agrário/agrícola, formando o capital bancário; depois veio a fusão entre o capital bancário e o capital industrial, resultando no capital financeiro. Arrisco-me em dizer que a próxima fusão será entre o capital financeiro e o capital científico, que se materializar-se-á em capital inovador ou em capital do conhecimento, mesmo porque, o que fortalece o capital fictício é a economia real.
Com essa provável vantagem potencial científica-tecnológica em Mato Grosso a ser fortalecida e reconstruída, abrir-se-ão leitos para a inovação, condicionando a pauta exportadora do estado em produtos de alta complexidade econômica (P. GALA, 2017), ampliando e diversificando as exportações.
No que tange a este assunto, em abril passado, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e SEDEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Mato Grosso) em ação conjunta realizaram uma oficina de trabalho a respeito da promoção da cultura exportadora em Mato Grosso, que resultou em um documento elaborado a várias mãos, delineando os pontos relevantes para uma provável Política Estadual de Cultura Exportadora.
Não em vão, recentemente, a APEX Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) aportou em Cuiabá, juntamente com os avanços da INVESTE Mato Grosso, ambas, visando o fortalecimento do comércio internacional mato-grossense.
Indústria com logística eficiente é trilho para inovações exportadoras, baseadas em vantagens potenciais e vantagens institucionais.
Um 2026 de realizações a todos.
Ernani Lúcio Pinto de Souza, 63, é economista do EIT/UFMT (ernani.souza@ufmt.br)
