O dólar abriu ontem (6) cotado a R$ 5,42, em linha com o fechamento anterior, e opera em leve estabilidade, refletindo cautela dos investidores diante do cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e expectativas sobre política monetária nos EUA.
A moeda norte-americana registra variação próxima de zero em relação ao fechamento da última sessão, quando encerrou em R$ 5,41. O movimento indica fluxo moderado e seletivo, com investidores atentos às notícias externas e à liquidez reduzida típica do início do ano.
Como explica o Economista da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, o sentimento predominante é de cautela, com operadores monitorando os desdobramentos da crise na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, além da volatilidade do petróleo e das tensões comerciais entre Washington e Pequim. “O fluxo cambial segue sem direção clara, limitado por movimentos técnicos e pela sensibilidade a notícias políticas”.
Na agenda doméstica, destaque para o Índice de Preços ao Consumidor semanal da FGV, divulgado pela manhã, que pode influenciar expectativas inflacionárias e, consequentemente, a política monetária do Banco Central. No exterior, os investidores acompanham o PMI industrial dos EUA, além de dados de inflação na Turquia, que ajudam a compor o quadro global de liquidez e risco.
O cenário internacional segue determinante: a política monetária americana continua no radar, com o mercado avaliando os próximos passos do Federal Reserve diante da desaceleração econômica e da pressão inflacionária. A crise geopolítica na América Latina adiciona incerteza, enquanto os preços das commodities oscilam em função da instabilidade no petróleo.
“Em resumo, o dólar iniciou o dia sem grandes variações, mas em ambiente de volatilidade elevada e prudência dos agentes financeiros, que aguardam novos sinais da política monetária global e dos desdobramentos políticos na região”, pontua.
Sobre o ouro, Mauriciano Cavalcante, pontua que o metal abriu o dia em alta, com a onça troy cotada a cerca de US$ 4.460,00 no mercado internacional, refletindo o movimento de busca por proteção em meio às tensões geopolíticas e às expectativas sobre política monetária nos Estados Unidos. No Brasil, o preço do ouro 24 quilates está em torno de R$776,00 por grama, avanço de 2,61% em relação ao fechamento anterior.
“O comportamento do metal precioso indica apetite por ativos defensivos, com investidores migrando para o ouro diante da volatilidade das commodities energéticas e da instabilidade política em regiões estratégicas. A valorização acompanha o aumento da demanda física e financeira, reforçada por fundos e instituições que buscam diversificação em um ambiente de cautela”.
A cotação internacional da onça troy acima de US$ 4.400 reforça o papel do ouro como porto seguro. A variação positiva reflete a percepção de risco elevada, especialmente diante da incerteza sobre o ritmo de cortes de juros pelo Federal Reserve. Taxas mais baixas tendem a favorecer o ouro, já que reduzem o custo de oportunidade de carregar o ativo.
Os investidores acompanham no Brasil a divulgação de índices de preços e dados fiscais, que podem influenciar expectativas sobre inflação e política monetária. No exterior, o destaque é para o PMI industrial dos EUA e discursos de dirigentes do Fed, além de dados de emprego, que podem alterar projeções sobre juros e impactar diretamente o ouro.
“O cenário internacional segue determinante: tensões políticas na América Latina e no Oriente Médio ampliam a procura por ativos de segurança, enquanto a oscilação do petróleo reforça a percepção de risco. O fluxo financeiro aponta para direção positiva, com aumento da demanda por ouro físico e contratos futuros”, explica.
