O avanço contínuo da produção de soja no Brasil ocorre em meio a sinais de alerta sobre a demanda internacional e a capacidade de absorção desse volume crescente. Segundo relatório do Goldman Sachs citado por Fabrini Galo, conselheiro consultivo, a China pode reduzir as importações da oleaginosa pela metade até 2030 e em dois terços até 2035, movimento que contrasta com a perspectiva de safra recorde brasileira estimada em 180 milhões de toneladas em 2026.
A combinação entre oferta crescente e possível retração do principal comprador externo levanta dúvidas sobre o direcionamento estratégico do setor. Enquanto o país amplia área e produtividade, especialistas apontam a ausência de um plano estruturado para diversificação e agregação de valor ao excedente. O foco permanece concentrado na expansão da produção primária, com menor ênfase no desenvolvimento de novos mercados e aplicações industriais.
Levantamento na Biblioteca de Teses de Doutorado no Brasil reforça esse diagnóstico. De 60 pesquisas dedicadas à soja, apenas 5% abordam derivados como bioplásticos, biodiesel ou aplicações farmacêuticas. A maior parte dos estudos está voltada ao aumento de produtividade e técnicas de cultivo, indicando prioridade acadêmica alinhada ao crescimento da oferta, e não necessariamente à industrialização.
Para Fabrini Galo, o cenário exige mudança de postura por parte de lideranças empresariais. Ele alerta que, sem a construção de um ecossistema de industrialização capaz de transformar a matéria-prima em produtos de maior valor agregado, o setor pode enfrentar forte impacto econômico caso a demanda externa recue de forma consistente. A discussão envolve governança estratégica e mitigação de riscos em um ambiente global mais competitivo e sujeito a mudanças estruturais no consumo. (Agrolink)
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