Em entrevista ao portal MT Econômico, o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, avaliou o momento delicado do varejo em Mato Grosso e apontou a inovação tecnológica e a qualificação de mão de obra como caminhos para a retomada. A conversa ocorreu em Cuiabá, durante o Fórum de Varejo 2026, evento realizado essa semana pela Fecomércio-MT e Senac em parceria com o Sebrae-MT, voltado à atualização dos empresários, com foco em tecnologia, tendências de mercado e inteligência artificial (IA).
Segundo Wenceslau, o objetivo da iniciativa é oferecer uma “injeção de ânimo” ao setor, mostrando o futuro do varejo, as novas demandas do consumidor e as oportunidades que surgem com o uso estratégico da tecnologia.
Momento de Transformação do Varejo
Para o presidente da Fecomércio-MT, o varejo vive um período de fragilidade, mas também de transformação. Ele destaca que a parceria entre Fecomércio, Senac e demais instituições nasce justamente para apoiar o empresário nesse processo, levando conhecimento, inovação e orientação prática sobre como se adaptar.
Wenceslau enfatiza três eixos centrais para a competitividade do comércio: adoção de tecnologia, qualificação constante e valorização do ser humano dentro das empresas.
De um lado, ele destaca a importância de cuidar do “básico bem feito”: manter lojas bonitas, organizadas e limpas, com equipes bem preparadas para atender um novo perfil de consumidor. De outro, reforça que esse consumidor pós-Covid está “muito detalhista”, mais exigente e atento à qualidade do atendimento, o que torna a capacitação dos colaboradores ainda mais crucial.
A inteligência artificial, pontua o presidente, é o grande tema do momento. Na visão dele, a IA precisa ser incorporada ao dia a dia das empresas, do varejo físico à gestão interna, passando pelo relacionamento com o cliente. Wenceslau faz questão de afastar o temor de que a tecnologia substituirá empregos: para ele, a IA “vem para somar”, criando novas profissões e funções, desde que haja preparo.
“São novas profissões que vão surgindo”, observa, ao defender que empreendedores e jovens fiquem atentos às oportunidades. Ele lembra que, ao longo da história, inovações sempre criaram novos tipos de trabalho, e com a IA não será diferente — desde que haja busca por qualificação para aprender a operar essas ferramentas.
Ao mesmo tempo, Wenceslau reforça que a tecnologia não substitui o fator humano. Valorizar o colaborador, segundo ele, é condição essencial para um bom atendimento. Quando o profissional é reconhecido, “está sempre com um sorriso no rosto” e entrega uma experiência melhor ao cliente, o que contribui diretamente para a fidelização e o desempenho do negócio.
Implicações para o setor econômico local
As declarações do presidente da Fecomércio-MT apontam para uma agenda de transformação do comércio em Mato Grosso, com impacto direto no ambiente de negócios.
A aposta na inteligência artificial e na inovação tecnológica tende a acelerar a digitalização do varejo, aproximando empresas locais das tendências já consolidadas em grandes mercados. Sistemas de atendimento inteligente, ferramentas de análise de dados, automação de processos e personalização da experiência do consumidor tendem a ganhar espaço entre os empreendedores que aceitarem o desafio de modernizar suas operações.
Paralelamente, a ênfase na qualificação profissional indica uma expansão de cursos e programas de capacitação voltados ao comércio, especialmente por meio de instituições como o Senac. Isso abre espaço para a formação de novos perfis de trabalhadores, capazes de lidar tanto com o atendimento presencial quanto com ferramentas digitais e soluções de IA.
Outro ponto relevante é a interiorização dessas ações. Ao afirmar que a parceria “estarta” em Cuiabá e seguirá pelo interior do estado, Wenceslau sinaliza uma estratégia de levar conhecimento e tendências também a pequenos e médios empresários fora da capital. Essa movimentação pode reduzir assimetrias regionais, fortalecer polos comerciais no interior e ampliar as oportunidades de crescimento econômico em diferentes municípios.
Por fim, ao defender que a IA não elimina, mas transforma empregos, o presidente reforça a necessidade de uma transição tecnológica responsável, com atenção à requalificação da mão de obra. O desafio para o varejo mato-grossense será equilibrar investimentos em tecnologia com políticas de valorização e treinamento de colaboradores, evitando exclusão e buscando ampliar o número de profissionais preparados para o novo cenário.
O futuro do comércio em Mato Grosso
A visão apresentada por Wenceslau Júnior projeta um futuro em que o comércio de Mato Grosso será mais tecnológico, conectado e orientado à experiência do consumidor, sem abrir mão do protagonismo das pessoas. A inteligência artificial tende a estar presente em diversos aspectos da operação, da gestão ao atendimento, ao mesmo tempo em que a qualificação e a valorização dos colaboradores continuarão sendo decisivas para o sucesso das empresas.
Se os empresários absorverem a agenda proposta — inovar, qualificar e valorizar o capital humano — o varejo mato-grossense pode sair do atual contexto de fragilidade em uma posição mais sólida e competitiva, preparado para enfrentar ciclos econômicos desafiadores e aproveitar novas oportunidades.
Com a interiorização das ações e o fortalecimento de parcerias institucionais, Mato Grosso tem a chance de consolidar um ecossistema de comércio mais moderno, inclusivo e alinhado às transformações tecnológicas que já moldam o mercado nacional e internacional.
Confira as cidades que o Fórum de Varejo 2026 irá passar em Mato Grosso:
MARÇO
Sinop – 17/03 (terça-feira)
Sorriso – 18/03 (quarta-feira)
ABRIL
Cáceres – 08/04 (quarta-feira)
Tangará da Serra – 09/04 (quinta-feira)
Barra do Garças – 23/04 (quarta-feira)
MAIO
Rondonópolis – 06/05 (quarta-feira)
Primavera do Leste – 07/05 (quinta-feira)
Nova Mutum – 20/05 (quarta-feira)
JUNHO
Lucas do Rio Verde – 03/06 (quarta-feira)
Alta Floresta – 09/06 (terça-feira)
Colíder – 11/06 (quinta-feira)
Água Boa – 24/06 (terça-feira)
