Os preços dos combustíveis nos postos de Cuiabá e Várzea Grande seguem em elevação e assustam os consumidores, especialmente, os derivados do petróleo como a gasolina e o óleo diesel, alvos de constantes reajustes. Monitoramento semanal do MT Econômico revela que o valor de bomba aponta para valores de acima de R$ 7 e próximo de R$ 8, respectivamente.
Ontem, por exemplo, em Várzea Grande, podia ser encontrada a R$ 7,09. O litro do diesel a R$ 7,69 e o etanol hidratado oscilando entres R$ 4,67 a R$ 4,69, média que segue sendo mantida na maior parte das revendas.
Apesar do susto a cada abastecida, o monitoramento semanal da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra um cenário menos inflacionado. Entre os dias 15 e 21 deste mês – dados mais recentes – o etano, registrou valor médio de R$ 4,64 em Mato Grosso, com mínima de R$ 3,99 e máxima de R$ 4,89. Já o litro da gasolina comum registrou no mesmo período média de R$ 6,67, mínima de R$ 6,30 e máxima de R$ 6,99. Já o litro do diesel teve média de R$ 7,29, mínima de R$ 6,69 e máxima de R$ 7,78.
Na primeira semana de março, por exemplo, as médias eram de R$ 4,63 ao etanol, de R$ 6,44 à gasolina e de R$ 6,28 ao diesel.
A nova alta ocorre poucos dias após a disparada provocada pela tensão no Oriente Médio e o reajuste aplicado pela Petrobras no diesel vendido às distribuidoras, colocado em prática no último dia 14. Desde então, o mercado segue pressionado pela instabilidade internacional e pelos repasses ao longo da cadeia de combustíveis.
OS POSTOS – No final da semana passada, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo), Kaká Alves, afirmou que os recentes aumentos no preço dos combustíveis nas bombas não são definidos pelos postos revendedores. Segundo ele, o setor não pode ser tratado como responsável direto pela alta.
De acordo com o presidente, mesmo sem anúncio oficial de reajuste, a Petrobras comercializou diesel recentemente com valores de até R$ 2,63 por litro acima da referência, o que impacta toda a cadeia de abastecimento.
Kaká explica que esses custos são repassados pelas distribuidoras e acabam chegando ao consumidor final. “É importante deixar claro que o posto não compra diretamente da Petrobras, mas sim das distribuidoras, e não tem controle sobre esses aumentos”, destacou.
O sindicato também aponta que o setor enfrenta dificuldades no abastecimento. Há relatos de restrições na venda de combustíveis, principalmente para postos de bandeira branca, além de preços elevados que, em alguns casos, inviabilizam a compra e podem causar falta de produto.
Para a entidade, embora o mercado de combustíveis seja livre, o cenário atual é de forte pressão de custos em toda a cadeia, o que acaba recaindo sobre o elo final: o posto revendedor.
“Os revendedores não podem ser responsabilizados por fatores externos, como decisões comerciais da cadeia produtiva ou instabilidades no cenário internacional”, reforçou Kaká.
O DIESEL – Os preços do diesel seguem registrando altas relevantes nos postos brasileiros. Entre a segunda e a terceira semana de março, o diesel comum subiu 6,41%, passando de R$ 6,90 para R$ 7,34 por litro, enquanto o diesel S-10 avançou 6,44%, de R$ 7,02 para R$ 7,48. Os dados são do IPTL (Índice de Preços Ticket Log), levantamento que consolida o comportamento de preços das transações realizadas nos postos de combustível em todo o país, garantindo uma média precisa.
As novas altas acontecem em meio à volatilidade do mercado internacional com os conflitos no Oriente Médio e após o reajuste da Petrobras, válido desde o último dia 14 de março, além da decisão do governo de zerar PIS e Cofins sobre o diesel importado.
Já a gasolina teve alta de 2,34%, no mesmo período, passando de R$ 6,63 para R$ 6,79 por litro, enquanto o etanol avançou 0,86%, de R$ 4,89 para R$ 4,93, indicando um movimento mais leve em comparação ao diesel, mas ainda importante.
Segundo Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, esse comportamento segue a dinâmica esperada da cadeia de combustíveis, em que os reajustes nas refinarias levam alguns dias para chegar ao consumidor final.
“O que os dados mostram é que o diesel segue em trajetória de alta e ganha força neste início de segunda quinzena, refletindo um cenário ainda pressionado tanto no mercado internacional quanto no doméstico”, explica o executivo.
Ainda de acordo com o IPTL, desde o dia 28 de fevereiro, quando os conflitos no Oriente Médio se intensificaram, o diesel S-10 já acumula alta de 20,26%, enquanto o tipo comum ficou 17,82% mais caro nas bombas de todo o País.
O executivo destaca ainda que o patamar atual dos preços coloca o diesel em um momento de maior pressão, com diferentes fatores ainda em aberto. “Esse nível de preço foi atingido em um intervalo curto de tempo, em um cenário que ainda está em movimento. A evolução nas próximas semanas vai depender tanto do ambiente internacional quanto de eventuais ajustes no mercado doméstico”, completa.