Estudo conjunto do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) e da FIA Business School aponta que a taxa de inadimplência com recursos livres para pessoas físicas deve alcançar uma média estimada de 7,01% em abril de 2026 — percentual da carteira de crédito livre do Sistema Financeiro Nacional com, pelo menos, uma prestação em atraso superior a 90 dias. A projeção indica que o indicador deve variar dentro de um intervalo entre 6,66% e 7,36%.
O patamar médio de 7,01% sinaliza um leve agravamento do cenário de crédito, representando uma alta de 0,11 ponto percentual em relação ao valor observado em fevereiro de 2026, último dado oficial disponível. Em comparação com a estimativa para março de 2026, a elevação projetada é de 0,05 ponto percentual.
Os especialistas responsáveis pelo estudo destacam ainda que o resultado pode se aproximar do limite superior da projeção. Diante do aumento dos atrasos observado em fevereiro, Claudio Felisoni Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School: “considera perfeitamente razoável esperar que a taxa de inadimplência em abril fique acima da média, ou seja, entre 7,01% e o limite superior previsto de 7,36%”.
VAREJO – O IBEVAR apresentou também a “Pesquisa de Vendas Projeção” para abril de 2026, trazendo sinais mistos para o varejo brasileiro.
O principal destaque está na diferença de desempenho entre os indicadores: enquanto o Varejo Restrito aponta leve crescimento de 0,06% na comparação mensal, com alta de 1,11% em relação a abril de 2025 e avanço acumulado de 1,21% em 12 meses, o Varejo Ampliado segue em direção oposta. A projeção indica queda de 1,39% frente ao mês anterior e recuo de 2,35% na comparação anual, resultando em uma variação acumulada negativa de 0,61%.
Esse contraste evidencia um consumo mais cauteloso, com retração nos segmentos de maior valor. Ainda assim, alguns setores seguem sustentando o resultado geral. É o caso de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que, apesar de uma leve queda mensal de 0,67%, apresentam crescimento expressivo de 3,21% na comparação anual e acumulam alta de 4,90% em 12 meses.
O estudo foi elaborado a partir de metodologia econométrica baseada em séries temporais da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE e dados dessazonalizados do Banco Central (BACEN), com recorte desde julho de 2016.
Para Claudio Felisoni, “as projeções para abril de 2026 revelam um cenário de contrastes: enquanto o varejo restrito demonstra resiliência, impulsionado por segmentos essenciais como farmácia, o varejo ampliado sinaliza uma desaceleração mais relevante na demanda por bens de maior valor”.
