O Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026 encerrado nesta semana, em Cuiabá, consolidou Mato Grosso no centro das discussões nacionais sobre geração, transmissão, distribuição e segurança energética. Realizado no UniSenai MT, o evento reuniu mais de 1,2 mil participantes durante os dois dias de programação e terminou marcado por anúncios de investimentos, debates técnicos e encaminhamentos considerados estratégicos para o setor.
Em sua 14ª edição, o evento reuniu representantes da Aneel, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), concessionárias, geradores, indústrias, especialistas e lideranças políticas para discutir os desafios da expansão energética em um dos estados que mais crescem economicamente no país.
Entre os principais anúncios feitos durante o evento estão os investimentos em novas redes de transmissão, previstos para começar a partir de 2027, além do pacote de R$ 9 bilhões em distribuição anunciado pela Energisa e o avanço do programa MT Trifásico, que pretende ampliar a oferta de energia trifásica em Mato Grosso, por meio de investimento de R$ 700 milhões pelo Governo do Estado.
O presidente do Sindenergia, Carlos Garcia, afirmou que o encontro conseguiu devolver a Mato Grosso seu protagonismo no setor energético nacional. “A principal notícia foi o avanço da rede de transmissão do Estado. A gente estava sem espaço para conectar novos empreendimentos e isso começa a mudar com os investimentos que foram anunciados”, afirmou.
Garcia afirmou ainda que o evento também ajudou a aproximar órgãos reguladores, parlamentares e agentes do setor da realidade energética mato-grossense, principalmente diante da pressão causada pelo crescimento econômico e pela expansão da geração renovável.
“Estamos conseguindo construir soluções para retomada de conexões que estavam paradas e chamando atenção para a importância estratégica de Mato Grosso como fornecedor de energia renovável para o país”, disse.
Além dos debates sobre transmissão e distribuição, o encontro também abordou temas ligados ao avanço da energia solar, armazenamento por baterias, biogás, biometano, hidrogênio, mercado livre de energia e industrialização.
Outro destaque do evento foi a feira de negócios, realizada pelo segundo ano consecutivo. O espaço reuniu empresas, fornecedores, desenvolvedores de soluções energéticas e representantes do setor produtivo.
O encontro também reuniu empresários e profissionais ligados à engenharia e à sustentabilidade. O sócio-administrador da Sinep Engenharia, Dêib Martins, avaliou que o evento ampliou o debate sobre inovação e soluções energéticas aplicadas à realidade de Mato Grosso. “Saio daqui com muito aprendizado. O evento mostrou desafios, mas também muitas oportunidades para desenvolver tecnologia e aplicar soluções que atendam o crescimento do estado”, afirmou.
Ele destacou ainda o potencial do biogás e do biometano em Mato Grosso, principalmente diante da força do agronegócio e da disponibilidade de resíduos para geração energética.
“Mato Grosso tem recurso, tem demanda e tem potencial. O importante agora é transformar isso em projetos bem executados e sustentáveis”, disse.
IMPACTO ECONÔMICO – Conforme o Observatório da Indústria, o setor elétrico no estado movimentou no ano passado cerca de R$ 1,55 bilhão em arrecadação de ICMS em Mato Grosso, com crescimento da participação empresarial, aumento da geração de empregos e expansão da renda ligada à atividade energética.
Atualmente, o setor emprega cerca de 7,2 mil trabalhadores formais no estado e conta com mais de 300 empresas ativas, concentradas principalmente nos segmentos de geração e distribuição de energia elétrica.
Para os organizadores, o encontro encerra esta edição com o objetivo alcançado de ampliar o debate sobre infraestrutura energética, atrair atenção nacional para os gargalos do estado e fortalecer Mato Grosso como protagonista da transição energética brasileira.
