O fim da taxação de compras internacionais, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, já começa a provocar um efeito imediato no comportamento do consumidor. A ampla repercussão do tema nas redes sociais e na mídia criou uma sensação de “última oportunidade”, estimulando uma corrida às compras em plataformas internacionais e fortalecendo o consumo por impulso, especialmente no setor de fast fashion.
Para Paula Sauer, professora de Economia da ESPM, o cenário pode gerar um efeito contrário ao esperado pelos consumidores. “O consumidor já ancorou mentalmente um preço mais alto para esses produtos. Com o fim da taxação, muitas empresas podem simplesmente manter os valores atuais e transformar essa diferença em margem de lucro”, diz.
Segundo a professora, o aumento da demanda provocado pela sensação de urgência também tende a pressionar os preços. “Quando existe uma forte ventilação na mídia sobre vantagem ou oportunidade, cria-se um gatilho típico de compras por impulso. Isso aquece o mercado e pode incentivar tanto o aumento da oferta quanto a manutenção de preços elevados”, explica.
O impacto deve atingir diretamente o varejo nacional, principalmente as redes de fast fashion, que precisarão ajustar preços para competir com o mercado externo. No curto prazo, isso pode beneficiar o consumidor final, mas o desafio para as empresas brasileiras vai além da concorrência no preço. “O mercado interno possui custos operacionais muito maiores. Quando a receita diminui, a forma mais rápida de cortar despesas costuma ser a redução de equipes. Por isso, as marcas nacionais precisarão investir em diferenciação, qualidade, atendimento e logística para fidelizar o consumidor”, conclui Sauer.
