O reconhecimento da República Popular da China ao status sanitário do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação representa um avanço estratégico para a pecuária de Mato Grosso, atualmente o maior exportador de carne bovina do país e que tem no mercado chinês seu maior consumidor.
Para o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Sistema Famato), o reconhecimento tende a gerar impactos ainda mais positivos para o estado, além de reforçar a credibilidade sanitária da carne brasileira no mercado internacional e amplia as oportunidades de acesso a negócios de alto valor agregado.
Há um ano, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) também já havia reconhecido o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. Agora, com o reconhecimento da China, a relação comercial entre Mato Grosso e o país asiático tende a ficar mais fortalecida.
Dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que Mato Grosso ocupa posição de destaque nas exportações estaduais de carne bovina. No primeiro quadrimestre deste ano, o estado exportou 47,76 mil toneladas para a China, mantendo o país como principal comprador da proteína bovina produzida no estado.
Os números de 2025 também demonstram a importância desse mercado para a cadeia produtiva no estado. De janeiro a dezembro do ano passado, a pecuária mato-grossense exportou 978 mil toneladas de carne para 92 países, gerando uma receita de aproximadamente US$ 4 bilhões. Deste total, mais da metade (536 mil toneladas) teve como destino a China.
Segundo o Imea, esse desempenho consolida Mato Grosso como o maior exportador brasileiro de carne bovina, tanto no ano passado quanto agora em 2026.
Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomasin, a consolidação da parceria comercial entre Mato Grosso e China e o fortalecimento da imagem sanitária devem trazer novos avanços comerciais nos próximos anos.
“Além dos impactos diretos sobre as exportações, a medida reforça o posicionamento do estado como referência mundial na produção sustentável e segura de alimentos, agregando valor à carne produzida e contribuindo para a geração de renda, empregos e desenvolvimento econômico em toda a cadeia pecuária”, destaca.
INSTITUCIONAL – “A decisão deve reforçar ainda mais a presença da carne bovina mato-grossense no principal mercado consumidor do produto no mundo”, afirmou a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman.
Segundo ela, Mato Grosso ganha mais destaque no mercado internacional e tem mais segurança para a continuidade das exportações ao principal comprador da carne bovina produzida no Estado. “A China é o principal destino da carne bovina mato-grossense. Quando o país reconhece o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, ele reforça a confiança na nossa produção e cria um ambiente mais favorável para os negócios. Mato Grosso já é líder nacional na produção e exportação de carne bovina, e medidas como essa ajudam a manter a competitividade do setor e a ampliar oportunidades para os produtores do Estado”, afirmou.
Mato Grosso teve o último registro de febre aftosa em 1996. Desde então, o Estado avançou na estruturação do sistema de defesa sanitária, com campanhas de vacinação, fiscalização e monitoramento contínuo do rebanho. Em 2001, conquistou o status de zona livre de febre aftosa com vacinação.
Em 2025, o Estado alcançou o mais alto nível de reconhecimento sanitário concedido pela OMSA ao ser certificado como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Na época da conquista, o rebanho mato-grossense já havia alcançado cerca de 32 milhões de cabeças, consolidando Mato Grosso como líder nacional da pecuária bovina.
A presidente do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), Emanuele de Almeida, ressaltou que o reconhecimento internacional é resultado de um esforço contínuo entre poder público e setor produtivo.
“Este reconhecimento internacional é fruto do trabalho conjunto entre o governo e a iniciativa privada, que cumpriram integralmente o Plano Estratégico ao longo de oito anos, aperfeiçoando a estrutura operacional do Indea-MT, os procedimentos de vigilância veterinária e, principalmente, o envolvimento do produtor rural na prevenção da febre aftosa”, afirmou.
A medida também deverá ampliar as oportunidades de exportação de produtos bovinos e suínos para a China, especialmente itens como miúdos e carne com osso, mercados com potencial de expansão para Mato Grosso. A abertura reforça as perspectivas de diversificação da pauta exportadora do Estado e de agregação de valor à produção pecuária destinada ao mercado asiático.
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