Mato Grosso é líder na reciclagem de embalagens agrícolas em todo o Brasil, é o que diz os dados divulgados em Live/Coletiva de imprensa com jornalistas, realizada na segunda-feira (10), pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). De acordo com a entidade, em 2021, os produtores rurais do estado destinaram um total de 13,4 mil toneladas de embalagens de defensivos agrícolas nos pontos e centrais de coleta. No Brasil o total é de 53,5 mil toneladas destinadas à reciclagem.
O MT Econômico participou do encontro online e diante dos assuntos abordados, preparou uma matéria especial sobre esse tema tão importante relacionado à Economia Circular.
Logística Reversa em Cuiabá e MT
Responsável por 25% da reciclagem de embalagens de insumos agrícolas de todo o país – desde 2002 até 2021 – Mato Grosso reciclou mais de 13 toneladas de embalagens nesses últimos 20 anos.
Cada vez mais, a necessidade de preservar o meio-ambiente vem crescendo e se destacando. Na capital do Estado, Cuiabá, está em tramitação na Câmara Municipal dos Vereadores, um projeto de lei para substituir a atual política de Logística Reversa no município.
A nova proposta nº 98/2022, de autoria do vereador Mário Nadaf (PV) com o apoio da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), consiste em alterar a atual lei em vigor, já que, de acordo com Gustavo de Oliveira, presidente da Fiemt, o setor propôs esse debate para a alteração na lei, considerando a necessidade de modernização e aplicabilidade das normas existentes.
Embora o projeto já tenha passado pela Constituição de Justiça e Redação da Câmara Municipal, ainda vai tramitar na Comissão do Meio Ambiente. De acordo com o prefeito em exercício de Cuiabá, José Roberto Stopa, essa lei “vai harmonizar uma área de conflito em razão da transversalidade da produção, deixando as regras claras. É uma experiência inédita e vai significar um exemplo a ser copiado pelo Brasil […] tenho certeza que ninguém vai se opor a esse projeto que traz harmonização para todos os membros da cadeia produtiva”.
“A lei tem como objetivo planejar e implementar de maneira justa as soluções para o descarte adequado de embalagens, envolvendo diversos atores, como empresas, poder público e a coletividade, tendo como resultado principal, a contribuição com a preservação do meio ambiente”, afirma Gustavo de Oliveira.
Quando falamos de descarte adequado de embalagens, é justo pensar em descartar de forma consciente, porque além de prejudicar o meio-ambiente, dependendo do que o recipiente carregava, pode vir a fazer mal para a população em geral. É por isso, que o inpEV possui postos e unidades de recebimento de descartes espalhados por todo o país.
Vale ressaltar que o inpEV atua apenas no setor de logística reversa de embalagens agrícolas, no entanto, se o projeto de lei municipal sobre Logística Reversa for aprovado, outras entidades poderão surgir e contribuir com a destinação correta das embalagens domésticas, de uso comum da população.
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Unidades de recebimento de embalagens do setor agrícola
Através dos dados coletados pelo inpEV, no Brasil existe mais de 400 unidades fixas de recebimento de embalagens de defensivos agrícolas (vazias), 312 postos e 99 centrais de recebimento. Todos esses serviços são realizados com agendamento eletrônico de devolução.
Os postos de recebimento são responsáveis por coletar as embalagens – estejam elas lavadas ou não – que, por meio de inspeção e classificação das mesmas, são emitidos recibos de confirmação e os materiais são encaminhados para as centrais de destinação de reciclagem.
Já as centrais, recebem as embalagens, tanto dos agricultores, quanto dos postos de coleta e até mesmo, de estabelecimentos comerciais licenciados. Após isso, realiza os procedimentos similares aos postos, em relação à inspeção e separam o tipo de material para compactarem e direcionarem os materiais ao seu destino final de reciclagem.
Atualmente, como é possível ver no gráfico abaixo, Mato Grosso possui 16 centrais de recebimento de embalagens de defensivos agrícolas e 21 pontos de coleta espalhados em cidades com maior volume de produção agrícola.


Postos de coleta de embalagens agrícolas em Mato Grosso
Água Boa, Alta Floresta, Alto Garças, Alto Taquari, Barra do Garças, Boa Esperança do Norte, Colniza, Confresa, Cuiabá, Gaúcha do Norte, Ipiranga do Norte, Juara, Juína, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Nova Ubiratã, Pontes e Lacerda, Querência, Tapurah e Vera.
Centrais de coleta de embalagens agrícolas em Mato Grosso
Campo Novo do Parecis, Campo Verde, Campos de Júlio, Canarana, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Mirassol D’Oeste, Nova Mutum, Primavera do Leste, Querência, Rondonópolis, Sapezal, Sinop, Sorriso (2) e Tangará da Serra.
Pensando em trazer mais informações sobre essa importante instituição, que existe há mais de 20 anos no Brasil, o MT Econômico traz um resumo da atuação do inpEV no mercado. Inclusive, recentemente publicamos uma matéria especial sobre Economia Circular. Veja mais aqui
O que é a inpEV?
Fundada em 2002, o inpEv é um instituto que não possui fins lucrativos. Formada por 140 fabricantes e nove entidades da indústria, agricultores e distribuidores, é a responsável pelo Sistema Campo Limpo (SCL) que, de acordo com eles, “é o programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas”.
Segundo o instituto, o sistema conta com mais de 260 associações, desde revendas até cooperativas. Conforme dados, divulgados pelo censo agrícola em 2017, o SCL é responsável por atender mais de 2 milhões de propriedades rurais em todo o país.
O programa de logística reversa para reciclagem possui 20 anos de atuação e é referência mundial para todas as indústrias. Um exemplo desse sucesso, é a destinação ambientalmente correta de mais de 680 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos, em duas décadas de trabalho. Isso representa 94% das embalagens plásticas primárias colocadas no mercado. Deste total, 93% são enviadas para reciclagem e apenas 7% para incineração. Para alcançar esse patamar, possui 10 recicladoras parceiras e 4 incineradoras.
Atualmente, o inpEV possui capacidade total para receber todas as embalagens agrícolas do país.
O único motivo por eles ainda não reciclarem 100% desses materiais, é a falta de acesso à informação por parte dos agricultores e da comunidade ao redor.
É importante lembrar que o descarte irregular dessas embalagens é crime ambiental, segundo a Lei nº 9.974/00, portanto, é responsabilidade tanto do agricultor quanto dos responsáveis que fazem parte dessa cadeia de produção e utilização, o descarte correto desses materiais.
Em Mato Grosso, o inpEv possui parcerias com entidades como a Aprosoja e Indea, que representam boa parte dos agricultores do Estado.
Caso queira saber mais sobre o inpEV acesse o portal do instituto aqui
Matéria especial MT Econômico: Isadora Sousa e Alessandro Torres