A China anunciou no último dia de 2025, a criação de cotas anuais para empresas comprarem o alimento de países estrangeiros, como o Brasil — o maior fornecedor. O país decidiu taxar e limitar a importação de carne bovina para proteger os produtores locais. Essas importações também receberão uma taxa de 12%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Haverá ainda uma sobretaxa de 55% sobre as compras que excederem as cotas.
O setor de carne bovina brasileira terá que rever produção e exportação do produto porque as cotas de importação anunciadas pela China são menores que o total que vem sendo vendido pelo Brasil ao país, com impacto potencial da ordem de até US$ 3 bilhões (ou cerca de R$ 16,5 bilhões) em receitas para o Brasil em 2026.
Para Mato Grosso a notícia preocupa e preocupa muito, afinal, o estado detém o maior rebanho nacional de bovinos e está entre os grandes exportadores da proteína animais. Mais que isso: A China é o maior parceiro comercial de Mato Grosso e também o maior consumidor da carne bovina ‘made in Mato Grosso’. O famoso padrão ‘boi-China’ traz valor agregado à arroba, e os pecuaristas investiram para atender à exigência dos chineses.
Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), essas medidas de salvaguarda determinadas pela China, “para nossa carne bovina, neste final de ano, nos preocupa muito”, afirmou a entidade por meio de nota .
Os grandes frigoríficos exportadores brasileiros já manifestaram sua preocupação com o impacto que essas medidas poderão determinar na cadeia. Sabemos que qualquer incidente seja sanitário ou econômico impacta negativamente no bolso do pecuarista e é ele quem paga toda a conta no final. “O último exemplo claro disso foi o tarifaço dos EUA onde os preços da arroba desabaram por conta de um único importador. Os grandes exportadores brasileiros têm condições de pulverizar esse excedente sobretaxado para outros mercados sem prejudicar o pecuarista brasileiro com manobras especulativas. Acreditamos no bom senso, certos de que o produtor brasileiro precisa ser valorizado e respeitado, principalmente nesse momento de incerteza e virada de ciclo. Esperamos também que o governo federal proteja e defenda também quem produz e não somente quem exporta”, afirmou a diretoria da Acrimat em nota.
MATO GROSSO – O Estado conta com 31,6 milhões de cabeças de gado, criados em 106 mil estabelecimentos rurais, de acordo com dados obtidos na campanha de atualização do estoque de rebanho do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea).
As informações foram coletadas entre novembro e o início de dezembro. Os números mantêm Mato Grosso na liderança nacional de rebanho, estando bem à frente do 2º colado, o estado do Pará com 25,5 milhões de bovinos.
Os municípios de Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade e Juara lideram o ranking com maior quantitativo de rebanho bovino. Juntos, os três somam com mais de 3,3 milhões de bovinos. Em seguida aparecem Colniza, Juína, Alta Floresta, Pontes e Lacerda, Nova Bandeirantes, Porto Esperidião e Aripuanã como os maiores criadores de rebanho bovino.
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