A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) anunciou, ainda antes da virada do ano, que vai atuar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Itamaraty para negociar com a China a taxa adicional de 55% sobre as importações de carnes brasileiras. Em nota, a entidade afirmou que a medida exige reação imediata do governo brasileiro para evitar instabilidade no mercado e impactos aos pecuaristas.
A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil e de Mato Grosso. O Estado detém o maior rebanho bovino do país, com mais de 31 milhões de cabeças, e está entre os maiores produtores de carne do mundo. Além de soja, a China se tornou o maior mercado consumidor da proteína vermelha produzida em Mato Grosso.
Conforme o presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), a entidade vai atuar imediatamente junto ao Mapa, Itamaraty e à área de comércio exterior do governo para abrir um canal de negociação com as autoridades chinesas e buscar soluções que preservem previsibilidade ao setor. “Também solicitará um levantamento técnico sobre o fluxo recente das exportações para embasar a estratégia brasileira e reduzir riscos de redução e desorganização de mercado”, afirmou.
A taxação chinesa foi anunciada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) passou a vigorar já no dia 1º de janeiro de 2026. Segundo o órgão, a medida é necessária para proteger o setor pecuário doméstico, que enfrenta um cenário de excesso de oferta.
“O aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria doméstica da China”, citou o ministério.
Em tese, a tarifa adicional de 55% será aplicada sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem os limites de cota dos principais fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. Com isso, o Brasil, líder no ranking de exportadores da proteína para a China, terá uma cota de 1,10 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026. O volume é inferior ao acumulado até novembro de 2025, quando o país exportou 1,49 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, totalizando US$ 8,02 bilhões.
Em nota divulgada logo após o anúncio da taxação, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) manifestou preocupação com a aplicação da medida, ao destacar que ela representa risco imediato ao desempenho das exportações brasileiras e ao equilíbrio da cadeia produtiva nacional.
“O impacto potencial desta medida pode significar uma perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026, comprometendo o desempenho das exportações do setor, que devem superar US$ 18 bilhões em 2025”, diz trecho do documento.
Para a associação, a tarifa pode desestimular os pecuaristas e impactar toda a cadeia produtiva, desde a geração de renda e empregos até os investimentos no campo. “É uma medida que pode funcionar como fator de desestímulo para o pecuarista investir mais na atividade, ampliando a produção”, avaliou.
Em pronunciamento oficial, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmaram que vão acompanhar a implementação das medidas e atuar junto ao governo brasileiro para mitigar os impactos da tarifa adicional.
“A ABIEC e a CNA seguirão acompanhando a implementação das medidas, atuando diretamente junto ao governo brasileiro e às autoridades chinesas para reduzir os danos que essa sobretaxa causará aos pecuaristas e exportadores brasileiros e para preservar o fluxo comercial historicamente praticado”, pontuaram. (Redação com Reporter MT)
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