A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, bloqueou 19.180 sites de aposta esportiva que operavam de forma ilegal no Brasil. A medida, revelada em relatório obtido pela Pay4Fun via Lei de Acesso à Informação, integra a estratégia do governo federal para conter a atuação de plataformas sem licença.
Além das URLs, 242 páginas e perfis foram removidos por publicidade irregular, e outras 182 publicações foram retiradas das redes sociais por promoverem apostas não autorizadas. Entre março e setembro, 483 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas foram encerradas após indícios de ligação com operações ilegais.
Segundo o Ministério da Fazenda, as ações têm como objetivo desarticular a estrutura financeira das bets irregulares e fortalecer a confiança no mercado regulamentado. A SPA também notificou 22 instituições de pagamento que mantinham vínculos com contas suspeitas, exigindo encerramento imediato e envio de dados para investigações em curso.
Para Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, o combate às operações clandestinas é essencial para a consolidação do setor. Ele destacou que o mercado de aposta esportiva continua altamente exposto à irregularidade, dificultando a fiscalização e a proteção do consumidor. “Não regular o que já existe não reduz a atividade, apenas impede o Estado de acompanhar e arrecadar”, afirmou.
De acordo com dados da plataforma de bet KTO, o futebol lidera com ampla margem entre as modalidades de aposta esportiva. Em outubro de 2025, 77,28% dos usuários ativos concentraram suas apostas nesse esporte, representando 88,31% do total. O basquete ficou em segundo lugar, com 6,99% dos usuários e 4,17% das apostas, seguido por modalidades como KTOdds (3,34%), tênis (1%) e futebol americano (0,50%).
Entre os campeonatos, o Brasileirão foi o mais popular, reunindo 15,11% das apostas. A Série B (6,22%) e a Premier League (4,99%) completaram o pódio. Os times mais selecionados foram Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, refletindo o interesse do público brasileiro por competições nacionais.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) implementou em outubro novas normas de autorregulação para coibir o uso de contas laranja e frias ligadas a bets irregulares. As instituições financeiras agora devem encerrar imediatamente contas suspeitas e reportar as ocorrências ao Banco Central. As medidas também preveem a participação das áreas de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e auditoria interna das instituições.
Segundo o presidente da Febraban, Isaac Sidney, o sistema financeiro enfrenta um cenário de aumento de golpes e movimentações ilícitas. “Sem exceção, bancos e fintechs têm o dever de impedir a manutenção de contas fraudulentas. Contas bancárias não podem servir de abrigo para lavar o dinheiro da criminalidade”, afirmou.
A iniciativa ocorre em meio à intensificação das ações do governo contra operações ilegais. Recentemente, a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, desarticulou um esquema bilionário ligado ao crime organizado, revelando a conexão entre apostas e lavagem de dinheiro.
Apesar dos avanços na fiscalização, 61% dos apostadores brasileiros ainda utilizaram sites ilegais em 2025, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. O estudo revelou que 78% dos entrevistados consideram difícil diferenciar plataformas legais das irregulares e que 46% já depositaram dinheiro em sites fraudulentos.
O levantamento, apoiado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, estima que entre 41% e 51% do mercado nacional de apostas online permaneça na ilegalidade, gerando perdas fiscais que podem chegar a R$ 10,8 bilhões anuais. Para especialistas, a informalidade continua sendo o principal obstáculo para o desenvolvimento sustentável do setor de aposta esportiva.

