A reta final das articulações majoritárias do Partido Liberal (PL) deflagrou mais um racha interno e abriu uma crise de identidade. O partido que representa a direita, em Mato Grosso, parece sem rumo, confuso e atirando para todo lado. O novo capítulo das eleições 2026 é marcado pela pecha de ‘candidato melancia’, ressuscitada após anúncio surpreende de troca do vice-governador. Hoje (7), o senador Wellington Fagundes (PL) surpreendeu os aliados ao chancelar o nome do médico Alencar Farina (PL) como seu candidato a vice-governo, descartando o empresário Marcelo Maluf (Novo) no teto do prazo das convenções.
Maluf foi informado sobre a quebra do acordo por telefone, numa ligação feita pelo próprio Wellington.
O movimento implodiu o acordo que vinha sendo desenhado com o partido Novo e enfureceu a ala ideológica da legenda. Nas redes sociais e em grupos de mensagens, militantes conservadores ressuscitaram a pecha de “melancia” (verde por fora e vermelho por dentro) contra Wellington, acusando o senador de pragmatismo excessivo e de trair o alinhamento puramente direitista na composição do palanque. No passado recente, WF era tachado de ‘melancia’.
O motivo da revolta da ala conservadora é o passado de Farina. O médico tem no currículo uma longa caminhada ao lado da esquerda em Mato Grosso.
Em 2004, foi candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa de Alexandre César (PT), numa coligação que juntava PT, PL e PCdoB. Anos depois, em 2008, disputou a Câmara da Capital vestindo a camisa do PT e, em 2012, chegou a ter o nome lançado pelos petistas para a Prefeitura de Várzea Grande.
REVOLTA REVELADA – O empresário Marcelo Maluf (Novo) quebrou o silêncio e atacou duramente o senador Wellington Fagundes (PL) após ser retirado da chapa majoritária. Em um contundente documento, o fundador do Grupo São Benedito acusou o liberal de desrespeitar os compromissos firmados e afirmou que a rasteira de bastidores “só contribui para apodrecer a boa política”.
Maluf revelou que sua indicação para a vice-governadoria era um projeto estruturado, com equipes mobilizadas e estratégias de campanha em andamento, disparando que não aceitará naturalizar condutas unilaterais na condução partidária de Mato Grosso.
Ainda em sua fala, Maluf colocou em xeque a capacidade do senador Wellington de liderar o Poder Executivo estadual, argumentando que quem pretende governar Mato Grosso precisa demonstrar que sua palavra tem valor, algo que o senador não sustentou ao rifá-lo da vaga de vice. “Não é possível pedir confiança a mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria casa”, disparou o empresário. Ele classificou o episódio como uma quebra profunda de respeito pessoal e político, lamentando que as pessoas que acreditaram no projeto tenham sido desconsideradas.



