Manter o caixa positivo, pagar fornecedores, investir em estoque ou equipamentos e ainda reservar recursos para crescer. Para a maioria dos microempreendedores, essa equação é conhecida – e nem sempre fecha. O acesso ao crédito, quando aparece, costuma vir acompanhado de juros altos e exigência de garantias que muitos pequenos negócios não têm.
A partir da primeira quinzena de março, uma nova linha de crédito para capital de giro começa a ser ofertada pelo BTG Pactual, com garantia do Fundo Garantidor BNDES-Sebrae (FG BNDES-Sebrae). O público-alvo são microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O fundo pode alavancar mais de R$ 9,4 bilhões em crédito para o setor.
As condições são atrativas: taxas a partir de 1,5% ao mês, prazo de pagamento de até 60 meses e carência de até 12 meses para começar a pagar. Tudo pode ser contratado de forma 100% digital pelo app BTG Pactual Empresas, com análise de crédito, aprovação automática e liberação do dinheiro no mesmo dia.
Mas o grande diferencial está no suporte oferecido junto ao crédito. “Essa parceria com instituições financeiras permite que empreendedores e empreendedoras tenham uma estratégia real de crescimento e expansão, gerando mais empregos e melhorando o faturamento”, destaca Décio Lima, presidente do Sebrae Nacional em evento realizado semana passada em Cuiabá. “O empreendedor não estará sozinho: contará com o Sebrae para aprimorar a gestão e aplicar o recurso de maneira sustentável”, reforça.
Em Mato Grosso, onde existem cerca de 514 mil pequenos negócios – dos quais 254 mil são MEIs –, o acesso ao crédito ainda é um dos maiores entraves para quem quer empreender ou expandir. “Transformar uma ideia em negócio e mantê-lo de portas abertas exige investimento, e muitas vezes o financiamento é o caminho. Mas, para o pequeno empresário, esse acesso ainda é difícil”, afirma Lélia Brun, diretora-superintendente do Sebrae Mato Grosso. Ela ressalta que a dificuldade é ainda maior para mulheres empreendedoras, que enfrentam barreiras extras para conseguir capital inicial ou ampliar suas operações.
Casos reais mostram o impacto desse suporte. A Guloso Sorvetes, de Cuiabá, só conseguiu se reerguer após problemas com um financiamento caro, graças ao apoio do programa Acredita Sebrae. Já Thamy Ribeiro, dona da academia LA Fitness, usou o crédito orientado para investir R$ 117 mil na reestruturação do negócio, com acompanhamento financeiro do Sebrae.
Para quem é MEI ou tem uma pequena empresa, a lição é clara: crédito pode ser aliado do crescimento, desde que venha acompanhado de planejamento e orientação. Antes de buscar o empréstimo, organize o fluxo de caixa, compare taxas e prazos e, se possível, busque apoio técnico para garantir que o recurso será usado de forma inteligente.
Com linhas como essa e o suporte do Sebrae, o crédito pode deixar de ser um obstáculo e se tornar uma ferramenta de transformação para o pequeno negócio.
