Janeiro é tradicionalmente um dos meses mais desafiadores para o bolso do brasileiro. Além das contas recorrentes, chegam despesas concentradas como IPVA, material escolar, seguros e reajustes de serviços. Segundo o Datafolha, 43% da população não possui reserva financeira e 84% enfrentou alguma emergência no último ano, o que torna o início do ano ainda mais sensível para o orçamento familiar.
Para Breno Nogueira, especialista em finanças pessoais e fundador da Escola do Breno — que já ajudou mais de 20 mil alunos a reorganizarem a vida financeira — o problema não está apenas no valor das contas, mas na falta de estratégia para atravessar o mês. “Janeiro expõe tudo aquilo que não foi planejado antes. Sem organização, qualquer despesa vira uma bola de neve”, explica.
Com base no que mais funcionou entre seus alunos, Breno reuniu 5 dicas práticas para organizar as contas de janeiro e evitar começar o ano no vermelho.
1. Encare janeiro como um mês de planejamento, não de improviso
O primeiro erro, segundo Breno, é tratar janeiro como um mês “atípico” e tentar resolver tudo no susto. O ideal é colocar todas as despesas do período no papel — fixas, variáveis e sazonais — para entender o tamanho real do compromisso financeiro. “Quando a pessoa enxerga o todo, ela para de apagar incêndio e começa a tomar decisões conscientes”, afirma.
2. Priorize o débito e reduza o uso do cartão de crédito
O cartão de crédito pode parecer uma solução rápida, mas costuma ser o principal vilão do início do ano. “No cartão tudo sobe: a fatura, os juros e a falsa sensação de controle. No débito, o dinheiro realmente sai — e isso muda o comportamento”, diz Breno.
A recomendação é evitar parcelamentos longos e, sempre que possível, amortizar dívidas com juros altos, como rotativo e cheque especial.
3. Organize as contas típicas de janeiro antes de assumir novos gastos
IPVA, material escolar, seguros e renovações costumam comprometer boa parte da renda logo no início do ano. Segundo Breno, o erro comum é assumir novos gastos sem antes garantir que essas contas essenciais estejam cobertas. “Janeiro não é mês de expandir padrão de vida, é mês de reorganizar”, resume.
4. Defina um limite diário de gastos para retomar o controle
Para quem se sente perdido financeiramente após as festas, Breno recomenda um método simples: calcular quanto pode gastar por dia. “Se a pessoa sabe que pode gastar R$ 100 por dia, ela cria um filtro automático para decisões pequenas, que são as que mais sabotam o orçamento”, explica.
O método funciona como um velocímetro financeiro: gastou mais hoje, ajusta amanhã; gastou menos hoje, ganha fôlego depois.
5. Não espere um ‘milagre financeiro’: comece a construir sua reserva
Muitas pessoas entram janeiro acreditando que algum dinheiro extra vai resolver tudo. Para Breno, essa expectativa abre espaço para decisões ruins e novas dívidas. “Emergência não é se vai acontecer, é quando e quanto vai custar. A reserva de emergência é o amortecedor que impede que um imprevisto destrua todo o planejamento”, afirma.
Mesmo que o valor inicial seja pequeno, o importante é criar o hábito e tornar a reserva parte fixa do orçamento mensal.
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