A definição do candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL) transformou-se em um complexo impasse político. Após sucessivas reviravoltas na articulação do bloco majoritário, o nome do empresário Reinaldo Morais, popularmente conhecido como “Rei do Porco” (PL), ganhou força nos bastidores como um plano emergencial e uma solução caseira da própria legenda para pacificar os correligionários.
Embora tenha registrado um desempenho eleitoral tímido em sua última disputa ao Senado Federal, o empresário é avaliado por aliados da base como uma alternativa viável por possuir um perfil empresarial alinhado à direita e livre de conexões com partidos progressistas.
O recuo estratégico evidencia o desgaste interno provocado pelas tentativas anteriores de fechamento da chapa. Inicialmente, o posto de vice-governador era dado como certo para o empresário da construção civil Marcelo Maluf (Novo), indicação de Fagundes para chancelar a coligação com os liberais. Contudo, o senador recuou do acordo e indicou o médico Alencar Farina (PL), manobra que gerou revolta em Maluf e abriu uma crise com a ala ideológica conservadora.
A rejeição ao nome de Farina foi imediata nos canais de comunicação da legenda. Lideranças e militantes bolsonaristas resgataram o histórico político do médico, que registra passagens e militância no PT, incluindo a disputa como vice-prefeito de Cuiabá em 2004 na chapa do petista Alexandre César, além de candidaturas proporcionais e majoritárias sob bandeiras da esquerda.
A escolha do médico reativou o rótulo de “melancia” — termo pejorativo usado para classificar políticos que seriam verdes por fora e vermelhos por dentro — que adversários costumam atribuir a Wellington.
Diante do agravamento do racha interno, a postulação de Reinaldo Morais ressurgiu no tabuleiro como um fator de equilíbrio. Integrado ao PL em 2022 a convite do próprio Wellington Fagundes, o “Rei do Porco” possui trânsito e inserção orgânica no agronegócio, atuando como um dos representantes do setor produtivo do estado.



