O governo de Mato Grosso sancionou a Lei nº 13.191/2025, que institui um fundo de até R$ 10 milhões por ano para incentivar companhias aéreas a implantar ou ampliar voos internacionais com origem ou destino no Estado. A iniciativa, prevista para fortalecer a conectividade internacional, integra a estratégia estadual de promoção do turismo, do agronegócio, de serviços e de atração de investimentos, além de abrir novas frentes de desenvolvimento econômico.
Pela nova legislação, o Poder Executivo poderá subsidar operações regulares internacionais de passageiros ou carga, incluindo rotas diretas ou circulares que envolvam aeroportos mato-grossenses. Empresas aéreas, inclusive aquelas que atuem em alianças comerciais formalmente reconhecidas, poderão solicitar o benefício mediante apresentação de projeto técnico com projeção de fluxo de passageiros e carga, frequência de voos e análise econômico-financeira, além de comprovar regularidade fiscal e jurídica.
A subvenção pode ser concedida por até dez anos, respeitando critérios de sustentabilidade fiscal e metas de desempenho operacional, conforme definição da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), responsável pela análise e emissão de pareceres técnicos.
Aeroporto Marechal Rondon: hub regional em expansão
O principal aeroporto do Estado, o Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon, em Várzea Grande, tem mostrado força como polo de conectividade no Centro-Oeste. Após a internacionalização oficial do terminal, autorizada pela ANAC, o aeroporto está apto a receber voos internacionais regulares e não regulares, além de carga e serviços privados — um importante marco para a malha aérea local e regional.
Em 2025, a movimentação no Marechal Rondon vem crescendo de forma consistente. Entre os terminais sob gestão da Centro-Oeste Airports (COA), o fluxo de passageiros no primeiro trimestre superou 751 mil viajantes, com o aeroporto de Cuiabá respondendo por mais de 620 mil passageiros em cerca de 5.293 voos comerciais, alta significativa em relação ao ano anterior.
Para o mês de dezembro de 2025, a expectativa era de atendimento a mais de 235 mil viajantes entre embarques, desembarques e conexões, distribuídos em mais de 1.700 voos comerciais, um crescimento de cerca de 6% frente ao mesmo período de 2024.
O Marechal Rondon também ganhou melhor avaliação nacional em satisfação de passageiros, figurando entre os cinco aeroportos mais bem avaliados do Brasil no acumulado de 2025, reflexo de investimentos de aproximadamente R$ 280 milhões em modernização e conforto.
Economia local e turismo em foco
Segundo o secretário César Miranda, a política de subvenção vai além de facilitar viagens ao exterior para mato-grossenses: trata-se de atrair turistas internacionais, gerar divisas e impulsionar setores como hotelaria, eventos e serviços, com reflexos positivos nos municípios que dependem do turismo rural, ecológico e de negócios.
“A conectividade internacional é decisiva para impulsionar o turismo e os negócios. Mato Grosso tem belezas naturais únicas e infraestrutura em expansão. Precisamos mostrar o Estado ao mundo e fazer com que esses voos cheguem e saiam cheios, movimentando a economia local e gerando empregos”, afirmou Miranda.
Os recursos poderão ser combinados com campanhas de marketing internacional, parcerias com redes hoteleiras, operadoras de turismo e operadores de cargas, visando não só o deslocamento de passageiros, mas também o escoamento de produtos regionais e a integração da malha turística às rotas globais.
Impactos esperados
Especialistas ouvidos pelo MT Econômico destacam que a abertura de voos internacionais pode:
- Elevar a receita do turismo, com turistas estrangeiros consumindo serviços no Estado
- Aumentar o fluxo de negócios internacionais relacionados ao agronegócio e eventos
- Reduzir barreiras de conectividade para empresários e investidores
- Fortalecer a imagem de Mato Grosso como destino turístico e logístico
A medida também reforça a importância de Mato Grosso no cenário econômico nacional e sugere que, com a infraestrutura adequada e incentivos estratégicos, o Estado pode se tornar um ponto de conexão internacional no Centro-Oeste, ampliando sua competitividade e atraindo novos ciclos de investimentos.

