A deputada estadual Janaina Riva (MDB) foi oficializada como candidata ao Senado durante a convenção estadual do partido, realizada na noite desta terça-feira (4), na Musiva, em Cuiabá. O encontro também consolidou a aproximação entre MDB e PL para as eleições de 2026 em Mato Grosso, embora a aliança ainda esteja cercada por divergências internas e dependa da definição de novos apoios.
Em seu primeiro discurso como candidata, Janaina adotou tom pragmático ao tratar da aliança com o PL e procurou reduzir o impacto das diferenças ideológicas entre as duas siglas. A deputada afirmou que o MDB não pretende interferir nos conflitos internos do partido aliado e defendeu que cada legenda preserve sua autonomia durante a disputa eleitoral. Veja os principais pontos da Convenção apurados pelo MT Econômico.
“Nós sabemos que qualquer partido ao qual fôssemos nos unir teria divergências. Enfrentamos isso com muita naturalidade, mas com a certeza de que o MDB vem para essa coligação para somar e fazer Janaina senadora”, declarou.
A parlamentar também evitou confirmar, neste momento, se pedirá votos para o candidato do PL ao Senado, o senador Wellington Fagundes, que deverá disputar o Governo do Estado. Segundo Janaina, a possibilidade de uma dobradinha entre os candidatos dependerá das próximas conversas entre as direções partidárias.
“Hoje vamos formalizar a coligação. Depois disso, vamos discutir a possibilidade de efetivarmos essa dobradinha. Isso dependerá das interlocuções entre o PL e o MDB”, afirmou.
A declaração evidencia que, apesar da aproximação entre os partidos, a estratégia eleitoral ainda não está completamente fechada. Segundo análise do MT Econômico, a aliança precisará transformar o acordo entre as cúpulas partidárias em uma atuação conjunta entre candidatos, lideranças regionais e bases eleitorais — tarefa dificultada pelas diferenças políticas existentes dentro do próprio PL.
Abilio rejeita aliança entre MDB e PL
A principal demonstração pública de resistência veio do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). No último domingo (2), ele afirmou que não apoiará uma eventual coligação entre MDB e PL.
A reação ocorreu após o vazamento de um áudio atribuído a Janaina Riva e enviado a candidatos do MDB. Na gravação, a presidente estadual da legenda confirma que o partido havia fechado entendimento com o PL para as eleições de 2026. Ela também mencionou a possibilidade de participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro na campanha da aliança.
Durante a convenção, Janaina procurou delimitar a responsabilidade do MDB sobre os conflitos internos do partido aliado.
“Nós vamos cuidar do nosso partido e espero que o PL cuide do PL. Não vamos interferir nessa discussão. Eles têm liberdade e direito de ter opiniões divergentes”, afirmou.
O episódio expõe um dos principais desafios da composição: o acordo pode ser formalizado pelas direções partidárias, mas sua efetividade dependerá da adesão de lideranças com influência eleitoral. A resistência de Abilio, especialmente em Cuiabá, pode dificultar a construção de um discurso unificado no campo da direita e também limitar a reciprocidade esperada pelo MDB.
Janaina nega convite para ser vice de Pivetta
A deputada também negou ter recebido convite para disputar a vice-governadoria em uma chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos). A possibilidade vinha sendo cogitada nas negociações políticas das últimas semanas.
“Eu nunca ouvi esse convite. Isso ficou apenas no campo das especulações. Minha candidatura sempre foi ao Senado”, disse.
Ao reafirmar a candidatura, Janaina encerra, ao menos publicamente, as especulações sobre uma mudança de posição na composição majoritária. A escolha também preserva a prioridade definida pelo MDB: disputar uma das vagas ao Senado e ampliar o espaço do partido na chapa eleitoral de 2026.
Botelho defende aliança e critica “curral” político
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) também defendeu a aproximação com o PL durante a convenção. Em discurso, afirmou que “Mato Grosso não é curral que tem dono”, em uma crítica à ideia de que o Estado estaria politicamente controlado por um grupo ou liderança específica.
Botelho ainda saiu em defesa do senador Jayme Campos (União Brasil), afirmando que ele teria sido “traído covardemente” durante a convenção do União Brasil. O deputado convocou os candidatos da aliança a trabalharem de forma conjunta pelas candidaturas de Janaina Riva ao Senado e Wellington Fagundes ao Governo do Estado.
A fala amplia o tom de disputa entre os grupos políticos e sinaliza que a composição do MDB com o PL não será apresentada apenas como um acordo eleitoral, mas também como uma tentativa de reorganizar forças no cenário estadual. Ao mesmo tempo, a defesa de Jayme Campos indica que o MDB pretende dialogar com setores que não necessariamente estarão no mesmo palanque da aliança com o PL.
Aliança ainda depende de novos apoios
Janaina afirmou que os últimos detalhes da composição partidária ainda dependem da definição sobre a entrada do Podemos no bloco. Segundo ela, os candidatos preferem aguardar a decisão antes de fechar completamente a estratégia eleitoral.
“O partido tem como prioridade a candidatura ao Senado. Estamos muito tranquilos com isso. Os candidatos vão decidir essa questão, mas todos querem aguardar a vinda ou não do Podemos”, declarou.
A convenção, portanto, oficializou a candidatura de Janaina e consolidou o movimento de aproximação com o PL, mas não eliminou as incertezas. Permanecem em aberto a forma de participação de Wellington Fagundes na campanha ao Senado, a disposição das lideranças do PL em apoiar Janaina e a capacidade dos partidos de administrar divergências públicas.
Análise do MT Econômico
A aliança entre MDB e PL combina interesses eleitorais distintos. Para o MDB, o acordo oferece acesso à estrutura de uma candidatura majoritária competitiva e aproxima Janaina de segmentos conservadores importantes no Estado. Para o PL, a composição pode ampliar sua presença política para além da direita bolsonarista e agregar uma candidatura com forte inserção regional.
O risco está na falta de unidade. A resistência de Abilio Brunini demonstra que o apoio formal do PL não necessariamente será acompanhado por todas as suas principais lideranças. Além disso, a indefinição sobre a reciprocidade entre as candidaturas ao Senado pode transformar a coligação em uma parceria apenas parcial, com cada partido priorizando seus próprios interesses.
A convenção também mostrou que a disputa de 2026 já começa marcada por rearranjos, ressentimentos e negociações entre grupos tradicionais. Mais do que uma aliança ideológica, MDB e PL apresentaram uma composição pragmática, cuja força real será testada na capacidade de superar conflitos internos e convencer o eleitor de que o acordo representa um projeto comum para Mato Grosso.


