De acordo com os dados do Custo de Produção Agropecuária (CPA), do Senar-MT e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Custo Operacional Total (COT) do sistema de cria da bovinocultura de corte apresentou alta de 2,98% no 1º trimestre de 2026, quando comparado ao custo consolidado de 2025, encerrando o período com média de R$ 9,69/kg. Esse aumento ocorreu, principalmente, devido à elevação nos grupos de depreciação e de mão de obra familiar, que, juntos, representam 40,51% do COT. No mesmo período, o preço do bezerro de 7@ manteve-se firme, com valorização de 10,87% no mesmo comparativo, sendo cotado a R$ 14,69/kg. Com isso, o maior avanço no preço do bezerro frente ao custo elevou a margem bruta da atividade, que atingiu média de R$ 5,00/kg, valor 30,26% superior à média registrada em 2025.
“Esse cenário tem contribuído para estimular a atividade de cria, refletido na redução dos abates de fêmeas, indicando movimento de retenção e impactando a dinâmica de oferta no mercado”, explicam os analistas do Imea.
Segundo dados do Indea, em março/26, Mato Grosso registrou o menor volume de bovinos enviados para abate em outros estados para o período. Ao todo, esses envios somaram 2,54 mil cabeças, queda de 23,16% no comparativo mensal e de 44,05% frente a mar/25. Dentre os destinos, Goiás concentrou 48,55% do total, seguido por São Paulo, com 46,27%, e Mato Grosso do Sul, com 5,18%. “Esse movimento esteve atrelado ao encurtamento do diferencial de base dos preços do boi gordo entre Mato Grosso e São Paulo no mês, com deságio médio de 6,50% frente à praça paulista, reduzindo a competitividade dos envios interestaduais e estimulando os abates nos frigoríficos mato-grossenses”.
Ademais, até a terceira semana de abril/26, os preços em MT e SP registraram médias de R$ 350,21/@ e R$ 368,74/@, respectivamente, e o diferencial de base entre as praças esteve em -5,03% no período, representando aproximação de 1,47 pontos percentuais (p.p.) em relação a março/26.
PRODUÇÃO MUNDIAL – O Departamentos de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou estimativa e apontou que o Brasil deve seguir como maior produtor global de carne bovina em 2026. Após liderar a produção global em 2025, a estimativa inicial do USDA para 2026 indicava que o Brasil poderia voltar à segunda posição, sendo ultrapassado pelos Estados Unidos.
Na revisão mais recente, no entanto, estima-se queda mais branda da produção brasileira, de 1,86% em relação ao ano passado, refletindo o bom desempenho no início de 2026. Com isso, a produção deve atingir 12,37 milhões de Toneladas em Equivalente Carcaça (TEC), mantendo o país como principal produtor, responsável por 20,09% da carne bovina global.
“A expectativa de redução é sustentada pela reversão do ciclo pecuário, com retenção de fêmeas e ajuste gradual da oferta. No mercado externo, a menor produção, aliada às restrições da China, principal destino da carne bovina brasileira, deve resultar em recuo de 2,40% nas exportações no ano, estimadas em 4,28 milhões de t, embora o país deva seguir como o principal fornecedor global da proteína”, explicam os analistas do Imea.
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