Mato Grosso é um dos protagonistas econômicos da região Centro-Oeste, com o PIB estadual crescendo 2,9% em 2026 e 2,7% em 2027, segundo estudo do Departamento Econômico do Santander. As projeções estão relacionadas à forte base de comparação de 2025 (8,3%) e refletem os efeitos das safras recordes de soja e milho sobre os demais setores da economia estadual. O levantamento reúne dados do Santander e do PIB regional do IBGE até 2023 e projeções para o período de 2024 a 2027.
No recorte setorial, o PIB da agropecuária teve desempenho excepcional em 2023 (31,4%), com a supersafra histórica, e queda de 3,4% no ano seguinte. A projeção para 2025 é de expansão de 19%, apoiada na produção de grãos. Para 2026, a expectativa é de crescimento mais moderado, de 2,4%, em função da elevada base de comparação, com aceleração para 3,5% em 2027, sustentada pelo elevado volume de grãos produzido no Estado.
Já o setor industrial apresenta perspectiva positiva, evidenciando os impactos secundários do agronegócio. Estima-se crescimento de 3,5% em 2025, 3,7% em 2026 e de 3,3% em 2027, sustentado pela produção agrícola.
O setor de serviços demonstra forte volatilidade, acompanhando de perto as tendências da agropecuária. As projeções são de 3,0% em 2025 e 2026, com desaceleração para 2,0% em 2027, refletindo condições financeiras mais restritivas. O varejo também mantém trajetória consistente de expansão nos últimos anos.
Henrique Danyi, economista do Santander e um dos autores do estudo, afirma que o Centro-Oeste foi a região brasileira com desempenho mais excepcional nos últimos anos, impulsionado por safras recordes e pelos impactos da agropecuária sobre os demais setores. O estado responde por 22,1% do PIB da região Centro-Oeste (dado de 2023). Conforme o estudo do Banco, o Centro-Oeste deve registrar crescimento de 4,8% em 2025; 2,3% (2026) e 1,9% (2027), impulsionado pelo ciclo das commodities.
Ainda segundo Danyi, a evolução da atividade econômica regional continuará refletindo fatores nacionais, como mercado de trabalho, política monetária e desempenho da agropecuária. O estudo destaca também que eventos climáticos permanecem entre os principais riscos para o cenário projetado, especialmente diante da possibilidade de ocorrência nos próximos anos de El Niño, fenômeno climático que altera os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do mundo.
O levantamento apresenta projeções para atividade econômica, agropecuária, indústria e serviços em todas as regiões do país, além de análises por estado e indicadores setoriais.
“Mesmo com a desaceleração prevista a partir de 2026, o mapa econômico do país segue mostrando uma expansão disseminada. O desafio à frente passa a ser manter maior consistência no crescimento, em contexto de heterogeneidade regional e sensibilidade a choques climáticos e financeiros”, conclui Danyi.
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