O senador Jayme Campos (União Brasil) oficializou na tarde desta quarta-feira (12) o seu rompimento frontal com o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). Em pronunciamento contundente na tribuna do Senado Federal, o decano da política mato-grossense pediu “desculpas” e “perdão” à população por ter liderado a articulação que viabilizou a vitória de Mendes ao Palácio Paiaguás nas eleições de 2018. O desabafo público marca a primeira manifestação do senador após ele ter sido barrado na convenção interna do União Brasil, no dia 30 de julho, quando tentou viabilizar uma candidatura própria ao Governo do Estado.
O estopim para o ataque na tribuna foi a eclosão da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada sob o aval do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura desvios na casa de R$ 308 milhões em um polêmico acordo tributário de precatórios da operadora Oi S.A., tendo o ex-governador Mauro Mendes e seu núcleo familiar como alvos de buscas e bloqueio de bens.
Jayme afirmou que é “muito triste” ver Mato Grosso estampado nas manchetes policiais do país e cobrou um aprofundamento rigoroso e ágil dos órgãos federais. “Se ficar comprovado que alguém meteu a mão no dinheiro público, precisa responder. Política não pode ser instrumento de enriquecimento pessoal”, disparou.
O ápice político do discurso ocorreu quando o senador relembrou, diante das câmeras da TV Senado, o empenho de seu grupo político para carregar a campanha de Mendes em 2018. “Quero pedir ao povo de Mato Grosso minha desculpa. Perdão por ter saído em 2018 puxando pelas mãos este homem apresentando o cidadão Mauro Mendes”, declarou Jayme, visivelmente emocionado. O parlamentar justificou o arrependimento afirmando que esperava um governo voltado para a maioria da sociedade, mas acusou a administração de se desviar dos propósitos iniciais e de supostamente privilegiar interesses privados em detrimento dos serviços essenciais à população.
O pronunciamento expõe o racha definitivo no União Brasil e joga luz sobre as feridas deixadas pela convenção partidária, onde Jayme acabou isolado pela ala controlada por Mendes. O senador relembrou que colocou seu nome à disposição dos convencionais para encabeçar o projeto ao governo neste ano, mas aceitou o placar adverso por se considerar um democrata. Com uma trajetória histórica ligada ao PDS, PFL e Democratas (siglas que deram origem ao UB), Jayme garantiu que não abandonará suas bases eleitorais e que cumprirá integralmente seu mandato no Senado até o final de janeiro de 2026, mantendo sua atuação em Mato Grosso.
As pesadas críticas levadas ao Congresso Nacional transformam as disputas de bastidores de Cuiabá em um embate público de alcance federal. Em seu fechamento, Jayme Campos defendeu que o debate sucessório em Mato Grosso precisa ir além do crescimento econômico isolado e passar a priorizar a integridade administrativa e o socorro aos municípios do interior. “Esse é o Mato Grosso que eu quero ver nas manchetes. Não é o das páginas policiais ou dos escândalos, mas o da produção, das oportunidades e da boa política”, concluiu o senador, sinalizando que atuará ativamente na oposição.
Vale ressaltar que as declarações proferidas pelo parlamentar representam posicionamentos políticos e acusações que carecem de comprovação jurídica definitiva. Como os episódios citados em relação ao passivo da Oi S.A. ainda estão sob a fase de instrução e inquérito da Polícia Federal, todos os agentes públicos e empresários mencionados no escândalo preservam o direito constitucional ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal antes de qualquer julgamento de mérito por parte do Poder Judiciário.


