A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) transformou-se no novo picadeiro da crise política estadual com o avanço da coleta de assinaturas para a instalação da “CPI da Oi”. O requerimento, que voltou a circular com força nos corredores do parlamento, já contabiliza sete adesões confirmadas, restando apenas um voto para atingir o quórum mínimo de oito parlamentares exigido para a leitura em Plenário. A iniciativa intensifica a fervura política e o desgaste sobre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e seu grupo aliado, liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), após a Polícia Federal deflagrar a Operação Heritage contra fraudes na quitação de precatórios.
Na base de sustentação ao Palácio Paiaguás, as movimentações da oposição são vistas com desconfiança e classificadas como uma tentativa de pautar o debate público de forma oportunista. O deputado Diego Guimarães (Republicanos) defendeu cautela na abertura de comissões investigativas no atual estágio do calendário, alertando para o risco de o parlamento ser instrumentalizado. “Estamos a menos de 55 dias da eleição. Temos que cuidar muito para que isso não perca o foco de uma investigação séria para uma investigação meramente eleitoreira, com a finalidade de expor, criar factoides e ser explorado por adversários do governo”, rebateu o governista nesta quarta-feira (12).
Em contrapartida, a bancada independente subiu o tom e acusou o Poder Legislativo de omissão histórica diante de denúncias que já circulavam nos bastidores da capital. O deputado Valdir Barranco (PT), um dos primeiros a chancelar o requerimento de abertura da CPI, externou indignação com a postura de parte dos colegas de parlamento. “A Assembleia Legislativa está devendo, é vergonhoso. Eu tenho vergonha disso! Como que os nossos colegas deixam chegar a esse ponto? Ter que ter uma operação da Polícia Federal com decisão do Supremo num caso de corrupção escancarada que todo mundo aqui sabia? Espero que os deputados que não assinaram tenham consciência e assinem”, cobrou Barranco.
Adotando uma postura de equilíbrio, o deputado veterano Júlio Campos (União) confirmou que o documento está na iminência de atingir a meta legal, mas colocou em xeque a real eficácia prática de uma apuração paralela conduzida às vésperas do recesso e da eleição. “A esta altura do campeonato, a CPI já pega um caso mais do que investigado. Porque, quando a Polícia Federal bate com o ‘toc-toc’ na sua porta, é porque já está com muito conteúdo, muita quebra de sigilo e descobriu muita coisa”, ponderou Campos, ponderando, contudo, que aceitará atuar no colegiado caso os blocos partidários aprovem a sua instalação.
O estopim que reativou a pressão política em Cuiabá foi a eclosão da Operação Heritage na última quinta-feira (6), quando a Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino (STF). O foco central do inquérito é desarticular uma suposta engenharia financeira montada para desviar R$ 308 milhões do Tesouro do Estado por meio do adiantamento de créditos tributários da Oi S.A. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio e o sequestro de bens de 61 pessoas físicas e jurídicas, jogando luz sobre transações que atingiram o núcleo familiar e empresarial das principais lideranças do bloco da centro-direita mato-grossense.



