O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne hoje (16) e amanhã para decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5%. O Copom vai avaliar os indicadores da economia brasileira e global e deliberar se há espaço para uma queda nos juros ou se a taxa permanecerá elevada por mais tempo.
“Nós esperamos que o Banco Central mantenha a taxa Selic em 14,50%aa., reconhecendo a piora das expectativas de inflação para 2027 e 2028, e os dados recentes de atividade e emprego que sinalizam que a política monetária atual talvez não esteja tão restritiva quanto se esperava. O acordo entre EUA e Irã feito neste fim de semana pode ser um contraponto positivo para que o BC continue cortando os juros, mas seus efeitos não devem ser tão imediatos nas expectativas”, explica Camilo Cavalcanti, gestor de Portfolio da Oby Capital.
Bruna Centeno economista, sócia da Blue3 Investimentos, destaca que a semana abriu bastante intensa com esse alívio generalizado na parte dos ativos de risco com a questão da solução entre Washington e Teerã. “Curva de juros no Brasil precificando queda em todos os vencimentos sem exceção no momento que a bolsa abriu em forte alta e agora operando de forma moderada mas ainda num tom mais positivo. Essa semana é importante porque esse alívio generalizado ele marca uma das semanas mais aguardadas que é exatamente essa precificação de juros em relação ao super quarta de Brasil e Estados Unidos”.
Apesar da curva de juros ter aberto essa semana por conta desse alívio global em queda não existe ali nenhum horizonte de que o mercado já passava a precificar mais chances de corte do que a casa de 0,25. “Então olhando a curva de juros é esperado ali um ajuste de 0,25 um pouco diferente do que o mercado esperava duas semanas atrás seria uma possível manutenção até pela revisão que nós vimos em relação ao boletim Focus que bateu 375 em termos de projeção”.
Na última reunião, em abril, por unanimidade, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto percentual. Essa foi a segunda vez seguida que o comitê reduziu os juros, mas o corte ocorreu em ritmo menor. Como justificativa, foram apontadas as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado.
A Selic é considerada a principal referência de juros do país, com impacto em financiamentos, empréstimos, investimentos e no crédito para empresas e consumidores.
Na ata divulgada, o comitê não deu pistas sobre a evolução dos juros e informou que está monitorando o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação, mas disse que colaborou para esse cenário a permanência de incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos.
“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz a ata.
Diante desse cenário, o mercado financeiro passou a elevar a estimativa para a Selic. A previsão, divulgada no boletim Focus dessa segunda-feira (15), é de que até o final de 2026 os juros fiquem em 13,5% ao ano, ante os 13,75% da semana passada.
O boletim aponta ainda que as expectativas de inflação, medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), seguem em alta, passando de 5,11% para 5,3% este ano. Com as pressões econômicas da guerra no Oriente Médio, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela décima quarta semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo Banco Central.
Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
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