Em uma demonstração de força na articulação política, a base governista da Câmara Municipal de Cuiabá impôs um ritmo de rolo compressor ao aprovar, em segundo turno, a emenda à Lei Orgânica que adia a eleição da Mesa Diretora para o dia 6 de outubro. O placar elástico de 22 votos a favor e apenas um contrário evidenciou o amplo controle da situação dentro do parlamento cuiabano, enterrando o pleito interno que estava agendado para o dia 25 de agosto.
O resultado consolida um grande acordo de plenário construído para blindar o Legislativo da capital de eventuais contestações judiciais. A mudança adapta as regras internas à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que exige contemporaneidade no processo, afastando o risco de anulação jurídica — fantasma que recentemente assombrou e derrubou a eleição da Mesa Diretora na vizinha Várzea Grande.
O consenso em torno da nova data foi desenhado após o vereador Chico 2000 (PL) pedir vista e travar a proposta original de votação imediata. Como nenhum dos blocos rivais detinha sozinho o quórum qualificado de 18 votos para aprovar alterações na Lei Orgânica, a articulação governista agiu rápido para costurar a data de 6 de outubro, primeira segunda-feira após o primeiro turno das eleições gerais, esvaziando a contaminação do pleito estadual no Palácio Paschoal Moreira Cabral.
Essa vitória fortalece o grupo político comandado pela atual presidente, Paula Calil (PL). Paula conta com o respaldo direto do prefeito Abilio Brunini (PL) e lidera uma ofensiva para derrubar as travas regimentais, abrindo brecha para disputar a reeleição consecutiva no comando da Casa para o biênio 2027-2028.
O bloco adversário, capitaneado pelo vereador Ilde Taques (Podemos), vinha mantendo um grupo coeso com 13 parlamentares com o objetivo de barrar as manobras governistas e lançar uma chapa independente.



