A Taxa Selic representa a taxa básica de juros da economia brasileira. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ela é o principal instrumento para controlar a inflação. Sua influência é ampla e direta, afetando o custo do crédito, os rendimentos de investimentos e, por consequência, o poder de compra e o consumo de famílias e empresas. No mercado de veículos, a Selic é decisiva, pois altera as taxas de juros dos financiamentos, tornando a compra de bens duráveis, como automóveis, mais cara ou acessível.
As variações na Taxa Selic geram um efeito cascata no mercado de veículos usados. Quando elevada, ela encarece o financiamento automotivo, desestimula compras a prazo e reduz o poder de compra dos consumidores. Já uma Selic em queda barateia o crédito, estimula o consumo e aquece o setor.
Em 2024, a taxa oscilou entre 10,50% e 12,25% ao ano, refletindo ajustes do Banco Central às condições econômicas e expectativas de mercado. Apesar dos juros altos, o mercado de veículos usados cresceu 9,2% no Brasil. Em agosto de 2024, as vendas subiram 20,28% em relação a 2023. Em 2025, o setor foi testado com a Selic entre 14,75% e 15% ao ano, fechando no pico de 15%, atendendo as projeções do mercado financeiro. Essas oscilações alteram o panorama econômico geral do mercado, e em específico de seminovos e usados, ao longo de 2025, a taxa básica manteve-se elevada, espelhando as complexidades macroeconômicas e o esforço do Banco Central contra a inflação. No início do ano, ela se consolidou acima de 14%, com projeções para juros restritivos. Em maio, o mercado esperava uma alta para 14,75%, mas revisões a elevaram. Nas reuniões finais do Copom, a taxa estabilizou em 15%, decisão antecipada pelos Boletins Focus de dezembro. Assim, a oscilação anual ficou entre 14,75% e 15%, culminando no máximo.
Em Mato Grosso, o comércio de veículos usados segue tendências nacionais, mas com nuances locais. A recuperação econômica e o vigor do agronegócio mantêm o mercado aquecido, variando por tipos de comercialização de seminovos e usados. Em 2024, segundo o jornal O Estado de Mato Grosso, os financiamentos cresceram 22,4%, totalizando 214,3 mil unidades. Isso revela um forte apetite por crédito, mesmo com juros altos.
No entanto, o mercado mato-grossense enfrenta desafios. É importante ressaltar que o crescimento não é uniforme no setor: temos as revendas multimarcas, menores e mais vulneráveis às taxas elevadas; já os grupos de revendedores de autos zero km, por serem mais estruturadas e organizadas para crises, tem mais facilidades em se relacionar com as taxas altas, ainda que, no caso destas empresas de maior porte, as financeiras, praticam juros mais baixos, muito pela garantia do carro vendido, no caso o zero km. As locadoras não ficam em situação diferente devido ao grande volume de vendas. Já vendedor informal, que escapa de encargos tributários, tem grande vantagem em relação a todos.
Cada segmento, de venda de seminovos e usados, reage à alta dos juros de forma distinta. Um problema chave é a desvalorização de usados, com queda de preços que impacta negativamente o valor do estoque – lastro para crédito e operações, principalmente das lojas multimarcas que fica comprometido. Essa desvalorização resulta de oferta-demanda local, novos modelos de zero km e a pressão da Selic. É de se ressaltar, a resiliência dos atores do mercado, é evidente, impulsionada pela economia em alta e demanda por transporte pessoal ou produtivo.
Por fim, a Taxa Selic é essencial para o ritmo do comércio de veículos novos e usados, em âmbito nacional e em Mato Grosso. Suas flutuações elevam o custo de financiamento, o poder de compra e as vendas. Juros altos freiam o consumo, mas o crescimento de 2024 mostrou que fatores econômicos e sociais também importam. Em 2025, o crédito mais caro exigiu adaptação constante de consumidores e revendedores. A capacidade de Mato Grosso de expandir financiamentos, apesar da desvalorização, destaca a dinâmica local e o papel vital do setor automotivo. Para revendas multimarcas e autorizadas, o foco na digitalização é crucial: mudar é aceitar o novo. Desde que a carroça ganhou motor, crises vêm e vão, mas o carro vende. Nada muda senão a mudança – o automóvel é mais que transporte; é um sonho a realizar.
Ricardo Laub Junior é consultor de empresas com mais de 40 anos de estrada no setor automotivo. Especialista em gestão de lojas revendedoras de veículos novos e seminovos, já passou por todas as cadeiras: vendedor, gerente de revenda, diretor e proprietário. Também é liderança do setor, como Vice-Presidente da AGENCIAUTO/MT e Vice-Presidente do SINDERV/MT. Professor e produtor de conteúdo, com formação em Administração, História, Ciências Políticas e Empreendedorismo, além de Mestrado pela UFMT e MBAs.
