Mato Grosso encerrou 2025 como um dos principais destaques do cenário industrial brasileiro e inicia 2026 com projeções ainda mais robustas. Dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Estado registrou, em novembro de 2025, o maior crescimento da produção industrial do país na comparação mensal: alta de 7,2% frente a outubro, enquanto a média nacional permaneceu praticamente estável.
O desempenho colocou Mato Grosso na liderança entre os 15 estados pesquisados pelo instituto, superando economias industriais consolidadas como Espírito Santo (4,4%) e Paraná (1,1%). O avanço ganha relevância por ocorrer em um ambiente de desaceleração em outras regiões e reforça a resiliência de uma indústria cada vez mais integrada ao agronegócio e à transformação de matérias-primas produzidas no próprio território estadual.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, o resultado é consequência direta de uma política voltada à previsibilidade e ao fortalecimento do ambiente de negócios. “Quando o Estado oferece segurança jurídica, incentivos bem estruturados e diálogo permanente com o setor produtivo, os resultados aparecem. A indústria gera empregos de melhor remuneração, diversifica a economia e reduz a dependência da exportação de produtos in natura”, afirmou.
De acordo com o Observatório da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o avanço industrial em 2025 foi impulsionado principalmente pela indústria química, com destaque para a produção de fertilizantes minerais e químicos (NPK), segmento estratégico para a cadeia agroindustrial. O setor de alimentos também teve participação decisiva, especialmente no processamento de carnes bovinas frescas, refrigeradas e congeladas. A indústria de bebidas completou o grupo de atividades que sustentaram o crescimento, com aumento na produção de cervejas e chope.
Segundo o presidente da Fiemt, Sílvio Rangel, a tendência para 2026 é de continuidade desse movimento. “A indústria mato-grossense entra em um novo ciclo de maturidade. Há projetos em expansão, ampliação de plantas industriais e investimentos em tecnologia que devem se refletir em novos ganhos de produção e produtividade ao longo do próximo ano”, avaliou.
Perspectivas e números para 2026
As projeções do setor indicam que a indústria de Mato Grosso deve crescer acima da média nacional em 2026, impulsionada pela ampliação da capacidade instalada, pela entrada em operação de novos empreendimentos e por um ambiente regulatório mais claro. A expectativa do governo estadual é que o Valor da Transformação Industrial (VTI) mantenha trajetória ascendente, reforçando o papel do Estado como polo de industrialização no Centro-Oeste.
Um dos vetores desse crescimento é a atualização da legislação tributária estadual voltada ao segmento de bebidas artesanais, que entra em vigor em janeiro de 2026. A norma define critérios objetivos para o enquadramento das microcervejarias, considerando empresas com sede em Mato Grosso e produção anual de até 5 milhões de litros. A medida elimina interpretações divergentes que, na prática, vinham gerando insegurança para pequenos e médios produtores.
“A clareza das regras cria condições reais para a ampliação de plantas industriais, modernização de equipamentos e profissionalização da cadeia produtiva. Em 2026, esses investimentos começam a maturar e devem se refletir em aumento da produção e geração de empregos”, destacou César Miranda.
Além do setor de bebidas, a indústria química e a de alimentos seguem com perspectivas positivas. A demanda por fertilizantes deve permanecer elevada, acompanhando a expansão da área plantada e o avanço da agricultura de alta produtividade. Já o processamento de proteínas animais continua beneficiado pela forte demanda externa e pela consolidação de Mato Grosso como líder nacional na produção pecuária.
Outro fator estratégico para 2026 é o efeito multiplicador da indústria sobre outros setores. A expansão industrial tende a impulsionar cadeias como logística, embalagens, metalmecânica, serviços técnicos e manutenção, ampliando o impacto econômico regional. O governo estadual também aposta no fortalecimento da formalização e da concorrência equilibrada, ao vincular benefícios fiscais à regularidade tributária.
Com esse conjunto de fatores, a expectativa é que, a partir de 2026, a indústria contribua de forma ainda mais significativa para o crescimento econômico de Mato Grosso, ampliando a arrecadação, gerando empregos qualificados e aprofundando a diversificação da base produtiva. O Estado consolida, assim, uma transição estratégica: de exportador de commodities para um polo industrial competitivo, capaz de agregar valor, reter renda e sustentar o desenvolvimento de longo prazo.
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