O presidente da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo, Graziano Messano, afirmou que Mato Grosso pode ser referência em energia limpa, especialmente por meio do avanço dos biocombustíveis e de uma matriz energética mais sustentável.
A declaração foi feita durante reunião com o governador Otaviano Pivetta e a comitiva responsável pela instalação da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo (ITALCAM) em Mato Grosso, que tem o objetivo de ampliar as relações comerciais e atrair investimentos entre o Estado e o país italiano.
Segundo Graziano, o Estado reúne condições para ampliar sua participação no cenário internacional, com soluções que ainda são desafios em outros países, especialmente na Europa.
“Mato Grosso pode ter um papel fundamental na transição energética. Aqui já existe uma matriz mais limpa e o avanço dos biocombustíveis. O que está sendo desenvolvido pode contribuir com soluções para a Europa, especialmente a partir da produção de milho e dessa nova fronteira energética”, afirmou.
Durante o encontro, o governador afirmou que Mato Grosso vem se preparando ao longo dos últimos sete anos para ampliar sua inserção no mercado internacional, com investimentos em infraestrutura, industrialização e aumento da capacidade produtiva.
“Mato Grosso vive um novo momento da economia. Depois de um ciclo de expansão da produção, avançamos para a industrialização, agregando valor, especialmente nas cadeias da soja e do milho, que antes saíam do Estado praticamente in natura. A presença da Câmara aqui reforça a importância de Mato Grosso no cenário internacional e amplia a nossa responsabilidade de continuar organizando o Estado para o mercado mundial”, afirmou.
A relação comercial entre Mato Grosso e a Itália vem se consolidando com superávit para o Estado. Em 2025, as exportações ultrapassaram US$ 360 milhões, com destaque para soja, carne bovina e milho.
INDÚSTRIA – Durante a instalação da Câmara no estado, foi assinado um memorando de entendimento entre a Fiemt e a entidade italiana, com vigência de dois anos. O acordo estabelece bases de cooperação para impulsionar negócios internacionais, atrair investimentos, fomentar a industrialização e fortalecer a relação com a Europa, com foco em áreas como inovação, sustentabilidade, economia verde e capacitação empresarial.
A balança comercial entre Mato Grosso e a Itália é fortemente superavitária para o estado e concentrada em produtos primários. Em 2025, as exportações foram lideradas por soja (US$ 130 milhões), carne bovina (US$ 106 milhões) e milho (US$ 68 milhões), além de derivados da soja e ouro em formas brutas, evidenciando a predominância do agronegócio. Por outro lado, as importações são pouco expressivas e compostas, principalmente, por itens industriais de baixo volume, como peças mecânicas e equipamentos, indicando baixa dependência de produtos italianos.
Nesse contexto, a agroindústria se consolida como setor estratégico para ampliar a presença de Mato Grosso no mercado italiano, com potencial de maior processamento e agregação de valor. A base florestal também surge como oportunidade, diante da crescente demanda europeia por produtos certificados e sustentáveis, alinhados às exigências ambientais e de rastreabilidade da União Europeia.
No contexto das perspectivas para o fortalecimento das relações entre Brasil e Itália, o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia desponta como um fator estratégico para a ampliação das oportunidades econômicas. O acordo tende a promover a redução de tarifas e maior previsibilidade regulatória, criando um ambiente mais favorável para o comércio internacional e para a atração de investimentos.
Para Mato Grosso, esse cenário representa uma oportunidade relevante de expansão, especialmente em setores com alta competitividade, como o agronegócio. Ao mesmo tempo, o estado mantém uma demanda significativa por bens de capital, com destaque para máquinas e equipamentos utilizados na agroindústria e na construção civil — áreas em que a Itália se consolida como importante fornecedora internacional. Nesse contexto, o fortalecimento das relações comerciais pode contribuir para dinamizar a economia regional, ampliar a capacidade produtiva e estimular processos de modernização industrial.
